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Spasiba, Елена!

Postado em Divã do Daszma

GoodbyeElena

Muitos fãs já se declararam em blogs nacionais e internacionais, mas, para muitos, as declarações de fãs não podem ser levadas tão a sério. Por quê? Dizem que os fãs não reconhecem as imperfeições de seus ídolos, só enxergam as virtudes. Não concordo!

Em se tratando de Dementieva, definitivamente, não é o caso. Não acredito que os fãs da russa possam fazer vistas grossas às suas imperfeições nas quadras, pois a própria tenista nunca quis escondê-las. Pelo contrário, foi justamente nessas situações adversas, nas imperfeições e nas derrotas que Elena sobressaiu. Os tenismaníacos sabem, e a imprensa especializada sempre ressaltou o fair play de Dementieva nas vitórias e, sobretudo, nas derrotas. Ser fã de Dementieva é saber que a dupla falta é apenas questão de tempo, a derrota poderá ocorrer, mas ao final, seja qual for o resultado, no aperto de mãos, Elena olhará nos olhos de sua adversária e com um belo sorriso nos lábios a parabenizará pela vitória. Simples assim, sem quebra de raquete, sem entrevistas polêmicas, sem desculpas vazias.

Pois bem, se opinião de fã não vale muita coisa, dessa vez o reconhecimento veio daquelas que acompanharam a carreira de Dementieva bem de pertinho, suas colegas de profissão. Tenistas que não só enfrentaram Elena nas quadras, mas que puderam conviver com a ex-top 3 nos vestiários, nas atividades extra quadra, nos treinamentos… As mensagens vão desde de contemporâneas, como Srebotnik e Clijsters, que conheceram Dementieva ainda no circuito juvenil, a jovens tenistas que cresceram vendo Dementieva jogar, caso de Carol Wozniacki. Há ainda declarações da ex-parceira de duplas, Flavia Pennetta, com quem Dementieva jogou nos anos de 2005 a 2007 e conquistou o WTA de Los Angeles, além de ter atingido a final do U.S. Open de 2005.

Se o melhor reconhecimento profissional é aquele vem dos colegas de trabalho, Dementieva pode se dar por satisfeita. Para suas amigas e colegas, ela sempre será lembrada pelo espírito guerreiro, cordialidade, fair play, personalidade, generosidade, pelas entrevistas ponderadas e, sobretudo, pelo cárater. Atributos de uma verdadeira Deusa Olímpica.

O vídeo gravado durante o WTA Tour Championships em Doha, tem, em ordem, depoimentos de Francesca Schiavone, Jelena Jankovic, Kveta Peschke, Caroline Wozniacki, Kim Clijsters, Rennae Stubbs, Samantha Stosur, Katarina Srebotnik, Lisa Raymond, Vera Zvonareva, Victoria Azarenka, Gisela Dulko e Flavia Pennetta. Se ao final da partida contra Schiavone, Dementieva levou quase todas suas companheiras às lágrimas ao anunciar sua aposentadoria das quadras, dessa vez elas tentaram dar o troco. Veja, ouça e se emocione com essa justíssima homenagem.

Se você, leitor(a), já viu o vídeo acima, percebeu que Vera Zvonareva e Victoria Azarenka preferiram deixar suas mensagens em russo. Eu não sou muito familiarizado com o idioma, na verdade, entendo pouquíssimas palavras. Mas deu pra ouvir “Spasiba”, que significa “obrigado” em russo.

Como nem todo mundo foi a Doha, as homenagens não pararam por aqui. Vesnina, que a partir de agora é a Elena (com todas as letras) mais bem ranqueada, aproveitou a participação de Dementieva em um programa russo para também parabenizar agradecer a xará mais famosa.

Afastada das quadras desde Wimbledon por uma misteriosa lesão, Serena Williams não foi a Doha, mas não se esqueceu de Dementieva. Em seu blog, a ex-número 1 reconheceu que Dementieva a ajudou a ser melhor dentro e fora das quadras.

Talvez você seja um recente fã de tênis e não entenda o porquê dessa choradeira toda com a aposentadoria da Dementieva. Dentre os highlights da atual campeã olímpica, está a cerimônia de premiação do U.S. Open. Mas pera aê, Dementieva não perdeu aquele jogo? Sim, Elena saiu derrotada da partida contra Kuznetsova, mas foi, ao final, a grande vencedora. Explico. Ainda no calor da derrota, Dementieva, em seu discurso, lembrou das vítimas dos ataques de 11 de Setembro de 2001 e do massacre que ocorreu em seu país, dias antes da final, em uma escola de Beslan. Emocionada, Dementieva pediu um momento de silêncio ao público que lotara a Arthur Ashe Stadium, e para que todos se unissem contra o terrorismo. O fato revelou não a tenista Elena Dementieva, de inegável sucesso, mas a grandeza do ser humano Elena Vyatcheslavovna Dementieva, vitoriosa em suas atitudes. Como (muito) bem disse o companheiro de TeniscópioGustavo Loio (@blogtopspin), pouco depois do anúncio da aposentadoria de Dementieva: “E Dementieva se despediu sem nenhum Grand Slam. Azar do Grand Slam.”

A qualidade do vídeo não é das melhores, mas vale a pena dar uma conferida, nem que seja para ver como eram Kuznetsova e Dementieva há seis anos atrás. Destaque para Mommy Dementieva, fiel companheira da filha tenista, que aparece algumas vezes no vídeo.

P.S.: Obrigado @laysguerrero pelo vídeo do USO\o/

Bate-pronto:

- Dementieva fará falta ao circuito não só pelos gritos agudos ao cometer um erro bobo, mas por ser um contraponto em um circuito dominado por provocações, seja nas quadras ou nas entrevistas. O tênis perde sua Lady;

- Com a aposentadoria da campeã olímpica, perdemos também uma das figuras mais emblemáticas do circuito feminino fora das quadras, Mommy Vera Dementieva. Depois que Sharapova aposentou o Papai Yuri, Vera Dementieva reinava absoluta no off -court da WTA, seja nos sorrisos das vitórias ou na angústia das derrotas;

- E o Divã do Daszma já sofre sua primeira grande baixa. Dementieva era, sem dúvidas, um nome com (muito) potencial para pintar por aqui diversas vezes. Ainda bem que o circuito está recheado de tenistas com head case;

- Com o fim da temporada da WTA quase todas as “top 50″ já estão curtindo férias, a exceção é a eslovaca/australiana Jarmila Gajdosova Groth, que semana passada disputou um torneio em Taipei e, nas próximas semanas, está escalada para jogar Challengers de 25 mil na Nova Zelândia e na Austrália. Para quem não sabe, essa é a menor categoria dos challengers e só perde para os Futures. Eu não consigo imaginar o que essa insana pretende com essa maratona, já que ela está bem longe da lista de cabeças de chave para o Aberto da Austrália;

- A número 1 do Brasil, a carioca Ana Clara Duarte, depois de uma vitoriosa turnê na Austrália, retorna ao Rio de Janeiro para jogar um Challenger de 25 mil, em Niterói na próxima semana. Clarinha precisa de bons resultados no Brasil para tentar disputar o qualifying do Australian Open.

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Roleta Russa

Postado em Destaques, Divã do Daszma

Ei, leitor! Você provavelmente já viu algum jogo de tênis que o resultado parecia certo e, de repente, aconteceu uma incrível reviravolta e o panorama mudou completamente: o tenista que estava com a partida “ganha”, por algum motivo, passa a errar tudo, fica ansioso e vai vendo a vantagem construída ir embora. Ele não quer acreditar no que está acontecendo, mas a vitória, que parecia certa, começa a se desintegrar diante de seus olhos. A quadra encolhe, a rede fica mais alta e as bolas bem menores. Não tem jeito: surgem as duplas faltas, os erros não forçados e tática, nesse momento, já é pedir demais.

Nessas situações as reações são as mais diversas: há os que gritam; que quebram raquete; os que tentam parecer calmos e donos da situação, mas, no fundo, estão psicologicamente desmoronados; os que choram; que brigam com a torcida; que discutem com o árbitro e soltam os cachorros no técnico; os que tentam ganhar um tempinho extra para se acalmarem chamando o fisioterapeuta ou o médico… mas no fim das contas, nada disso irá funcionar e a virada é apenas questão de tempo.

Provavelmente você se recordou de algum jogo que teve esse enredo. Se não, com certeza ainda irá se deparar com algo parecido. A idéia dessa coluna surgiu depois de assistir a mais um jogo com essas características: a partida que parecia caminhar para um final, ou melhor, não parecia, era certo que o resultado seria um, mudou completamente. Sinceramente, eu seria injusto se tentasse dizer em que jogo surgiu essa ideia ou quem foi a minha grande inspiração. Tarefa impossível!

Se você é daqueles que acompanha somente os jogos da ATP, com certeza presenciou menos esses apagões e as viradas impressionantes, mas se você, assim como eu, é também espectador dos jogos da WTA, essa “imprevisibilidade” já não mais te surpreende.

É justamente nesse momento crítico e imprevisível que a partida fica mais divertida e interessante. É um verdadeiro roteiro de cinema, com pitadas de drama, comédia e terror. Se você é fissurado em tática e técnica dos golpes, esqueça! Troque o canal, procure link de outro jogo ou vá fazer outra coisa! Nesse momento já não existem mais estratégias e a técnica dos golpes já se rendeu ao desespero. Quem está enxergando a luz no fim do túnel só pensa em devolver o maior número de bolas possível, a espera do erro adversário; já quem está prestes a chegar ao fundo do poço, começa a pensar no próximo torneio, na briga que terá com o técnico, nas chances que perdeu… Um verdadeiro martírio. Os pontos passam a ser decididos rapidamente. É a famosa tática da Roleta russa, a tenista fecha os olhos e atira, o resultado será uma bola indefensável ou um erro não forçado.

Essa imprevisibilidade é uma das grandes marcas da WTA. Não vou tentar aqui encontrar o porquê disso, pois duvido que alguém realmente saiba essa resposta. É a mesma coisa de conseguir entender as mulheres. Missão impossível.

O título da coluna, uma ideia dos amigos do Teniscópio, é apenas uma referência ao “mundo louco” que é o tênis, especialmente o circuito feminino. Aqui falarei sobre os jogos, resultados e acontecimentos marcantes da WTA, além de, é claro, eventualmente, comentar o circuito da ATP, até porque também gosto de um jogo com variedades táticas, técnicas apuradas e sem muito drama.

É claro que minhas preferências tenisticas terão maior destaque nesse espaço. Então, não se espante se eu sempre arrumar um jeitinho de enfiar uma russa (Vera Zvonareva, Anna Chakvetadze, Maria Sharapova, Dinara Safina, Elena Dementieva, etc) nos meus posts. Aliás, elas estão entre as maiores “loucas” do circuito. Vamos falar sério, o que seria da WTA sem as russas loucas? Uma verdadeira chatice. Darei também destaque aos resultados das tenistas brasileiras, seja no exterior, ou em terras tupiniquins. E, também pretendo mostrar a vocês jovens jogadoras que estão surgindo no circuito e outras que se destacam mais em challengers, e, mais cedo ou mais tarde, irão aparecer na sua tela de TV ou do computador.

Bem vindo ao mundo das pushers & ballbashers, dos rallys intermináveis, da pancadaria da linha de base, das comemorações provocativas, das rivalidades e amizades dentro e fora das quadras, dos balões, dos gritos estrondosos e gemidos censuráveis, das viradas espetaculares, dos match points desperdiçados, das duplas faltas, dos ataques histéricos, das falsas contusões, dos resultados surpreendentes, das declarações polêmicas, do drama, muito drama. Bem vindo ao Fantástico e Insano Mundo da WTA! O vídeo abaixo, mostra um pouquinho desse peculiar universo que é a WTA. Enjoy!

Bate-Pronto

- Tem alguma ideia de vídeo para ser postado, sugestão para a coluna, crítica ou pergunta? Deixe na caixinha de comentários abaixo ou na seção “fale conosco” do site. Tentarei responder o mais rápido possível.