Um torneio para entrar para a história
Postado em Divã do Daszma
WOW. Quanto tempo desde a última vez que escrevi aqui. Na verdade, quase duas semanas, mas parece uma eternidade, haja vista tudo que aconteceu no nosso esporte favorito. Quando nos falamos pela última vez, aqui nesse espaço, apenas metade das jogadoras já tinha dado adeus ao título de Roland Garros. É, bastante tempo…
Felizmente, Roland Garros não vai entrar para a história só pelo fato de, pela primeira vez em sei lá quanto tempo, que não tivemos uma das quatro principais cabeças de chave entre as semifinalistas. O Aberto da França 2011 será sempre lembrado por ter marcado um novo capítulo na história do esporte… na Ásia. Finalmente uma asiática venceu um Grand Slam, e foi logo onde elas costumavam a se dar mal, no saibro. A chinesinha Li Na (a moça é campeã de Grand Slam, me rendo à forma de chinesa de pronunciar o nome dela), aquela que chegou à final em Melbourne, onde arrancou risadas por falar dos roncos do marido e de suas extravagâncias com o cartão de crédito, superou as outras 127 tenistas e conquistou Roland Garros.
Simpática todo mundo já sabe que Li Na é. Mas em Paris ela mostrou uma evolução e determinação que poucos conheciam. O saibro nunca foi o piso da tenista, e ela mesma reconheceu isso por diversas vezes. Mas a chinesa adaptou muito bem seu jogo ao piso lento para fazer história em Paris. No outro post falei que a chinesa poderia ter problemas com seus erros, de fato ela teve. Além da estreia, Li Na se complicou um pouco contra a quali espanhola Soler Espinosa e no primeiro set da partida contra a Kvitova. Mas depois disso, a chinesa venceu todos os sets que disputou: mais dois contra Kvitova, Azarenka, Sharapova e Schiavone. A italiana, dona de um jogo diferenciado e uma garra admirável, tentou de tudo, mas nada pode fazer contra as profundas e anguladas bolas da chinesa. E a chinesa fez o que Wozniacki e Zvonareva não fizeram, copou um Grand Slam antes que a super-temida Serena Williams voltasse.
Li Na não se tornou somente a melhor tenista chinesa da história. Isso já era barbada. Mas a China pode se orgulhar de ter a melhor atleta na modalidade em seu continente. Sensação da temporada com duas finais de Grand Slam, Li Na pode alçar novos voos na grama londrina e em Nova York, pisos em que tem mais know-how do que tinha no saibro antes do torneio. Abaixo, seguem três entrevistas com a chinesinha campeã de Roland Garros. Conheça mais um pouco da nova integrante das campeãs de Slam. Ah, e aprenda um pouco de chinês. Ou tente…
As parcerias de sucesso
No fim das contas, a chinesa fez história em Paris. E o torneio de 2011 será sempre lembrado por ter sido palco do primeiro Slam asiático e por Nadal ter igualado o recorde de Borg, ambos com seis Coupe des Mousquetaires. Mas o torneio entrará também para a história de algumas tenistas, entre elas duas tchecas, Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka. O dueto tcheco foi uma das grandes surpresas de Paris, por vencer o torneio derrotando quatro cabeças de chaves, entre elas Peschke/Srebotnik, que as bateram em Melbourne; King/Shevedova, campeãs de Wimbledon e do U.S. Open e Mirza/Vesnina, um dos melhores times da temporada. Sem se esquecer, é claro, da vitória na primeira rodada contra o time que mais levantou troféus na temporada, Benesova e Zhalavova Strycova. A campanha de Roland Garros foi ainda mais surpreendente, as tchecas não perderam um set sequer em todo o torneio e se fortalecem para disputar uma vaga no time que irá à Rússia no final do ano, disputar o confronto decisivo da Federation Cup. E tem mais, campeã do WTA de Bruxelas ao lado de Galina Voskoboeva, Andrea Hlavackova, acumula dez vitórias seguidas na chave de duplas.
Mais uma vez o Brasil voltou os olhos para a chave de duplas mistas. E mais uma vez em Roland Garros. Se ano passado todos ficaram torcendo por uma conquista do gigante Marcelo Melo com a baixinha Vania King, derrotados apenas na final, nesse ano todos ficaram empolgados com as aventuras do tímido Thomaz Bellucci e da sorridente, Jarmila Gajdosova, que por pouco – perderam um match point – não chegaram à final do torneio de duplas mistas. Se a dupla não levantou o troféu pelo menos nos brindou com momentos engraçadíssimos como dessa imagem ao lado. Beijinhos à parte, quem levou o título foi a parceria australiana formada por Casey Dellacqua e Scott Lipsky, os reis dos tie-breaks. Os campeões, ao longo do torneio, venceram todos os tie-breaks que disputaram.
As promessas
Já no Rolanguinha, o torneio juvenil, quem brilhou foi a vice campeã do ano passado, a tunisiana Ons Jabeur, de 16 anos, que na final desse ano derrotou a porto-riquenha Monica Puig. Para chegar à sua segunda final no Grand Slam francês, Jabeur derrotou duas tenistas que já estão dando os primeiros passos no circuito profissional, a russa Daria Gavrilova (quartas de final) e, nas semifinais, a francesa Caroline Garcia, que na chave principal do torneio, esteve a dois games de eliminar Maria Sharapova. Duas vezes vice-campeã em Grand Slams na temporada – também chegou à final no Australian Open – Monica Puig, que perdeu o primeiro set em um tie-break disputadíssimo, não conseguiu se recompor no segundo set, perdeu por 1/6 e saiu de quadra chorando. Enquanto a tunisiana era toda sorriso na premiação, a adversária ainda soluçava por ver mais uma chance de vencer um Grand Slam juvenil escapar.
Nas duplas da chave juvenil, o título ficou com a parceria formada pela russa Irina Khromacheva, de 16 anos, e a ucraniana Maryna Zanevska, um ano mais velha. Na partida decisiva, o “dueto soviético” derrotou a uzbeque naturalizada russa, Victoria Kan – sim, ainda existem tenistas que se naturalizam russa, ao invés do contrário – e a holandesa Demi Schuurs. O time campeão fez um torneio irrepreensível, vencendo todos os sets que disputou e aplicando alguns pneus pelo caminho. Vale ressaltar que a russa é uma das promessas do pais que não cansa de formar tenistas, e esteve no Brasil há poucos meses, onde venceu um ITF de 10 mil; já a ucraniana conquista o segundo Grand Slam juvenil nas duplas, o primeiro veio no U.S. Open em 2009. Já que a antiga parceira da russa Khromacheva, a também ucraniana Elina Svitolina vêm se dedicando mais ao tour profissional, é bem capaz que Khromacheva e Zanevska repitam a parceria em Wimbledon, onde a russinha foi vice-campeã no ano passado, mas deixou sua marca, “C’mon!”. Veja o vídeo.
As Tias
É quase uma ofensa incluir Martina Hingis (Hingisova, sim ela é uma “OVA”) numa chave com um monte de tia de 40 anos pra mais. A suíça, que largou o tênis, em definitivo, há dois anos, ainda tem 30 anos e poderia, caso estivesse treinando frequentemente, disputar o circuito tranquilamente. Saudosismo de lado, Martina Hingis voltou a Paris, onde foi achincalhada pela torcida francesa há alguns anos, para vencer o Grand Slam mais uma vez. Se na chave profissional Hingis nunca venceu em Paris, a tcheca naturalizada suíça não saiu de mãos abanando da França. Martina, que já havia conquistado o Grand Slam francês no circuito juvenil, e nas duplas, agora também é campeã do evento entre as Lendas do esporte.
A volta de Hingis às competições na chave de veteranas aconteceu ano passado em Wimbledon, onde jogou com a eterna companheira Anna Kournikova. Esse ano, para voltar à controversa Paris, Hingis escolheu a norte-americana Lindsay Davenport, contra quem travou inúmeras (minto, 25) batalhas no circuito profissional. Em Roland Garros, Davenport e Hingis bateram na decisão Navratilova e Novotna, por 61 62 para ficarem com o título na chave das tiazonas. Seria bacana se Hingis largasse um pouco o hipismo e voltasse a dar suas raquetadas nos Grand Slams. A técnica e a graça continuam lá. Palavras de alguém que assistiu a dois jogos da lenda nesse torneio de veteranas. No vídeo abaixo dá para ver alguns momentos da final da chave de lendas (a partir dos 00:40s)
Bate-pronto:
- Semifinalistas em Paris, Maria Sharapova e Marion Bartoli também foram os destaques da competição, já que não são muito lá fãs do saibro, mas superaram toda à destreza que possuem para movimentar no pó de tijolo (#CowOnIce) e chegaram perto de fazer a grande final. Outro destaque foi a russa Anastasia Pavlyuchenkova que eliminou Zvonareva nas oitavas e esteve muito perto de derrotar Schiavone nas quartas de final.
- Finalmente uma brasileira venceu um Challenger na temporada. Depois de boas campanhas nos Estados Unidos e Argentina, Roxane Vaisemberg e Vivian Segnini decidiram o ITF 25K de Itaparica. No jogo entre as amigas, quem se deu melhor foi Vaisemberg, que atropelou a parceira de duplas e conquistou o primeiro challenger da carreira.
- Ainda buscando a melhor forma técnica depois de uma grave contusão, a pernambucana arretada Teliana Pereira está em excursão pela Europa, onde vem furando com facilidade os qualis e fazendo jogos duros nas chaves principais. Com os resultados das últimas semanas, Teliana já está no top 400 da WTA.
- Se uma brasileira na chave principal de um Grand Slam ainda é um sonho, no torneio juvenil já é a realidade. E essa realidade é loira, canhota e atende pelo nome de Beatriz Haddad Maia, a Bia. Nossa promessa de 15 anos furou o quali do torneio juvenil, vencendo, em sets diretos, duas seeds, uma delas a top seed, e se classificou para a chave principal. O resultado pouco importa. O importante nesse momento é a experiência que essa menina está adquirindo, que será importante no futuro. “#VamoBia”
- Campeãs dos Challengers das últimas 3 semanas:
$25 Brescia, Itália:
Simples: Irina Buryachok (UKR)
Duplas: Castiblanco (COL)/Hermenegildo (BRA)
$25 Goyang, Coreia do Sul:
Simples: Chanel Simmonds (RSA)
Duplas: Kim (KOR)/Yoo (KOR)
$25 Izmir, Turquia:
Simples: Mihaela Buzarnescua (ROU)
Duplas: Broady (GBR)/Whybourn (GBR)
$25 Karuizawa, Japão:
Simples: Misa Eguchi (JPN)
Duplas: Aoyama (JPN)/Fujiwara (JPN)
$25 Moscou, Rússia:
Simples: Yulia Putintseva (RUS)
Duplas: Guskova (RUS)/Solovieva (RUS)
$25 Bangkok, Tailândia
Simples: Ayu-Fani Damayanti (INA)
Duplas: Li (CHN)/Wongteanchai (THA)
$25 Changwon, Coreia do Sul:
Simples: Chanel Simmonds (RSA)
Duplas: Chan (TPE)/Zheng (CHN)
$25 Grado, Itália:
Simples: Ajla Tomljanovic (CRO)
Duplas: Irigoyen (ARG)/Ivanova (RUS)
$25 Itaparica, Brasil:
Simples: Roxane Vaisemberg (BRA)
Duplas: Albuquerque (BRA)/Salut (ARG)
$25 Niigata, Japão:
Simples: Erika Sema (JPN)
Duplas: Hamamura (JPN)/Sema (JPN)
$50 Carson, EUA:
Simples: Camila Giorgi (ITA)
Duplas: Mueller (USA)/Muhammed (USA)
$25 Bangkok, Tailândia:
Simples: Marta Sirotkina (RUS)
Duplas: Li (CHN)/Wongteanchai (THA)
$25 Gimcheon, Coreia do Sul:
Simples: Mi Yoo (KOR)
Duplas: Chan (TPE)/Tezuka (JPN)
$25 Maribor, Eslovênia:
Simples: Nastja Kolar (SLO)
Duplas: Castiblanco (COL)/Perez (VEM)
$25 Prerov, República Tcheca:
Simples: Reka-Luka Jani (HUN)
Duplas: Kramperova (CZE)/Pliskova (CZE)
$50 Roma Tiro a Volo:
Simples: Christina McHale (USA)
Duplas: Ferguson (AUS)/Peers (AUS)
$75 Nottingham, Grã-Bretanha:
Simples: Eleni Daniilidou (GRE)
Duplas: Date-Krumm (JPN)/Zhang (CHN)
Fotos: Getty Images, Site Oficial de Roland Garros e Zimbio Images.












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