As heroínas do final de semana
Postado em Divã do Daszma
Confrontos da Fed Cup e Copa Davis são sempre assim: quem vence se torna herói, quem perde acaba carregando o fardo por um bom tempo. Nesse final de semana não foi diferente.
A minha profecia no post anterior se concretizou e Rússia e República Tcheca aproveitaram suas chances e farão o confronto final da Fed Cup, na Rússia, em novembro. A Rússia passeou contra a Itália em Moscou. Vera Zvonareva esteve impecável em seu retorno ao time, depois de uma ausência de três anos, e não deu chances às rivais Sara Errani e Roberta Vinci. A número três do mundo jogou agressivamente, buscando encurtar os pontos e venceu seus jogos sem maiores sustos, classificando a Rússia para uma final de Fed Cup depois de dois anos fora da decisão. Kuznetsova, Pavlyuchenkova, em simples e nas duplas com Makarova fecharam o final de semana perfeito da equipe russa.
Yanina Wickmayer e Petra Kvitova eram as líderes do time belga e tcheco, respectivamente, e duelariam pelo título de heroína no confronto da outra semifinal. Como tal, passaram fácil no sábado o que aumentou ainda mais a importância do terceiro jogo da série. Wickmayer parecia que seria a protagonista do confronto. Empurrada por sua barulhenta torcida abriu um set de vantagem, o que aumentou ainda mais o barulho no estádio. Mas se o objetivo era tirar Kvitova do jogo, o tiro saiu pela culatra, a tcheca passou a vibrar com mais intensidade, gritar (ou latir, como preferire m) e a acertar seus golpes, não necessariamente nessa ordem. Mais confiante, Kvitova venceu o segundo set e dominou completamente o terceiro e pôs as visitantes em vantagem. Naquele que podia ser o último jogo da série, Flipkens derrotou Zahlavova Strycova e levou a decisão para as duplas. Mas dessa vez Zahlavova Strycova levou a melhor, ao lado de Benesova, com quem joga regularmente no circuito e derrotou sua algoz de poucas horas antes, e Wickmayer.
Mas a grande heroína do final de semana saiu de um jogo dos playoffs. No sábado, o capitão da sérvia, Dejan Vranes, chocou ao preterir Jelena Jankovic, melhor sérvia ranqueada, e escalar Bojana Jovanovski para o duelo contra Cibulkova, que acabou derrotando de virada a adolescente sérvia. Ivanovic empatou o duelo com uma vitória sólida sobre Daniela Hantuchova, mas sentiu a velha contusão no abdômen e abandonou quando empatava o segundo set com Cibulkova, após ter perdido a primeira parcial. Com as donas da casa liderando a série por 2-1, Vranes promoveu a entrada de Jankovic para enfrentar Hantuchova, naquele que poderia ser o último ponto do confronto. Depois de começar arrasadora, Jankovic viu Hantuchova voltar para o jogo e ficar bem perto da vitória, mas a ex-número 1 do ranking se impôs no 5-5 do ter ceiro set, e venceu os dois games seguintes para empatar o duelo e levar a decisão para o jogo de duplas. Talvez motivado por uma espécie de superstição, o capitão eslovaco, Matej Liptak, repetindo o time do confronto de 2010, contra a mesma Sérvia, mandou para quadra Daniela Hantuchova e Magdalena Rybarikova, deixando de lado Dominika Cibulkova, a única, até então, que possuía duas vitórias no confronto. Empurradas pela torcida, as eslovacas abriram rapidamente 6-2 5-1 30-0 sobre Jankovic e Aleksandra Krunic, e caminhavam para uma tranquila vitória. Mas como no tênis o jogo só acaba no aperto de mãos, as sérvias continuaram lutando, venceram o game, depois o outro, e mais outro, até salvarem dois match points e virarem o set para 7-5. No terceiro set, quando se esperava uma Eslováquia abatida depois de ver ruir a vitória, o jogo foi ainda mais duro e decidido apenas num pequeno detalhe no décimo sexto game com um golpe de vista equivocado de Rybarikova, que deixou uma devolução de Krunic cair sobre a linha e selando a incrível vitória das visitantes – que retribuíram a derrota de 2010 em Belgrado. Assim, Jankovic e Vranes saíram como heróis, enquanto que Hantuchova (derrotada em todos os seus jogos na série), Rybarikova (responsável pelo vacilo no match point) e Liptak (que escalou Rybarikova ao invés da embalada Cibulkova) foram os grandes vilões do confronto.
E não deu outra. Sem as irmãs Williams, os Estados Unidos foram massacrados por Andrea Petkovic e cia. O único set vencido pelas atuais vice campeãs aconteceu apenas na partida de duplas. De forma deprimente, os EUA deixam o grupo principal da Fed Cup, pela primeira vez na história, e vão para o grupo de acesso.
Tradicionais na copa das Nações, França e Austrália também se juntarão aos Estados Unidos no Grupo Mundial 2, em 2012. Enquanto que as francesas foram dominadas pelas espanholas que jogavam em casa, as “australianas” foram surpreendidas em Melbourne pela Ucrânia, que venceu a série por 3-2. Sem Samantha Stosur, coube a Jarmila Groth liderar o time local, e a eslovaca, de nascimento, não fez feio, venceu seus dois jogos de simples, mas não contava com a pífia atuação da russa, naturalizada australiana, Anastasia Rodionova, que perdeu todos os seus jogos na série, provocando a maior zebra do fim de semana.
Bate-pronto:
- Com as eliminações de Austrália e Estados Unidos, oito países europeus formarão a chave principal da Fed Cup em 2012: Rússia, República Tcheca, Bélgica, Alemanha, Espanha, Sérvia e Ucrânia. Fato inédito.
- A Bielorússia de Victoria Azarenka atropelou a Estônia, e finalmente voltará ao Grupo Mundial, pela segunda vez em sua história. A Eslovênia permanece no Grupo Mundial que ganhou também a presença da Suíça, que rebaixou a Suécia para o zonal europeu. Já as canadenses, derrotadas pela Eslovênia, foram rebaixadas para o zonal americano, que ainda poderá ter a Argentina.
- Roxane Vaisemberg foi novamente o destaque do Brasil na semana. A paulista furou o qualifying do challenger de Osprey (25K), venceu um jogo na chave principal, e foi derrotada nas oitavas de final pela embalada Iryna Bremond. O resultado deve aproximar Vaisemberg do top 300 da WTA. A carioca Ana Clara Duarte caiu na segunda rodada do CH de Johanesburgo (100k+H) diante da holandesa Kiki Bertens. Nas duplas, Ana Clara dividiu a premiação e os pontos com as outras semifinalistas, já que o torneio não foi finalizado devido ao mau tempo.
- Resultados dos CH da semana:
$ 100+H – Johanesburgo, África do Sul
Simples: Valeria Savinykh (RUS) d. (2)Petra Cetkovska (CZE) 61 63
Duplas: (1)Birnerova (CZE)/Cetkovska (CZE), Duarte (BRA)/Mircic (SRB), (4)Bratchikova (RUS)/Savinykh (RUS), Beterns (NED)/Keothavong (GBR) dividiram os pontos e a premiação
$ 25 – Casablanca, Marrocos
Simples: (Q)Galina Voskoboeva (KAZ) d. (Q)Mervana Jugic-Salkic (BIH) 67(4) 62 63
Duplas: (3)Klemenschits (AUT)/Mladenovic (FRA) d. Linette (POL)/Piter (POL) 63 36 10-8
$ 25 – Incheon, Coreia do Sul
Simples: (2)So-Jung Kim (KOR) d. (1)Jin A-Lee (KOR) 26 63 61
Duplas: Han (CHN)/Hong (KOR) d. (2)Kao (TPE)/Wongteanchai (THA)
$ 25 – Osprey, Estados Unidos
Simples: Claire de Gubernatis (FRA) d. Caroline Garcia (FRA) 64 64
Duplas: (2)Foretz Gacon (FRA)/Glatch (USA) d. (1)Irigoyen (ARG)/Sema (JPN) 46 75 10-7





Como uma andorinha somente não faz verão, a nº. 1 do ranking da WTA, a dinamarquesa Caroline Wozniacki, ficará de fora dos holofotes dos principais confrontos da Fed Cup, mas já está em Israel, onde liderará seu país no zonal Europa/África. Carol não é a única top 10 que estará em Israel disputando uma vaga para a repescagem do Grupo Mundial II. A bieloussa, Victoria Azarenka, número 9 do mundo, também já está pensando em Londres e, de quebra, tentará promover seu país para o Grupo Mundial.


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