Ainda não é um ponto final
Postado em Divã do Daszma
Eu já disse que essa coluna não tem uma só inspiradora, nem mesmo o nome, “Divã do Daszma”, é homenagem à apenas uma tenista, mas se eu tivesse que escolher uma grande “culpada”, esta seria Dinara Safina. A história da russa de sorriso inocente é incrível. Irmã do mito russo Marat Safin, Safina começou sua carreira no tênis já com o fardo de seguir os passos do irmão, de vencer como ele, de conquistar os Slams que ele conquistou, de ser número 1 do mundo, ou a carismática Dinara seria a eterna “irmã caçula do Safin”.
O começo da carreira foi discreto e irregular. Até o ano de 2007, a russa já tinha alcançado 9 finais e vencido 5 torneios da WTA, mas todos em eventos de menor porte. As quartas de final de Roland Garros e do U.S. Open, ambas em 2006, haviam sido, até então, os melhores resultado da irmã caçula de Marat Safin em Slams.
A virada em Berlim
Quando parecia que Safina ficaria eternamente sob a sombra de seu irmão mais velho, eis que vem a grande virada na carreira, talvez, uma das maiores no tênis. Em abril de 2008, mesmo não vindo de bons resultados na temporada, Dinara derrotou, a então líder do ranking, Justine Henin, pela primeira vez na carreira, na terceira rodada do WTA de Berlim. Nas quartas de final, Safina derrotou Serena Williams, outra tenista contra quem nunca havia vencido um jogo, parando uma sequência de 17 vitórias na temporada da americana. As vitórias aumentaram a confiança da russa, que na final do torneio derrotou Elena Dementieva e conquistou seu primeiro troféu de um evento Tier I. Chegou então o aberto da França, e Safina seria a 13 ª cabeça de chave. A russa não teve dificuldades para avançar até a terceira rodada no saibro francês, quando enfrentaria novamente a líder do ranking, que dessa vez era a russa Maria Sharapova. A líder do ranking venceu o primeiro set no tie-break e liderava o segundo por 5-3, quando teve um match point no saque da adversária. Safina salvou aquele match point, quebrou o serviço de Sharapova no game seguinte, levou o set para o game decisivo, venceu o set e, depois, a partida, por 6-7 7-6 6-2. Nas quartas de final a história se repetiu. Dementieva havia vencido o primeiro set, 6-4, teve match points no 5-2 do segundo set e não fechou. Dinara novamente não desperdiçou a chance, venceu o tie-break e aplicou um pneu no terceiro set. Em sua primeira semifinal de Grand Slam, Safina derrotou Kuznetsova, para mais tarde ser derrotada por Ivanovic na final do torneio, o que não foi uma surpresa, já que a sérvia havia chegado à final no ano anterior.
De lá para cá os resultados só cresceram, e a confiança da tenista russa também: final em ‘s-Hertogenbosch, dois títulos em sequência, Los Angeles e Montreal (Tier I), levando-a à sexta posição no ranking da WTA e a vencer o U.S. Open Series. Nas Olimpíadas de Pequim, Safina derrotou, pela terceira vez seguida uma líder do ranking, dessa vez a sérvia Jelena Jankovic, que a exemplo de Henin e Sharapova, sucumbiu ao potente jogo de fundo de quadra da russa. Dinara perdeu a final dos jogos para a compatriota Elena Dementieva e ficou com a medalha de prata. Os resultados não pararam de crescer: semifinais no U.S. Open, título em Tóquio, classificação inédita para o WTA Championships e finalizando o ano na terceira colocação do ranking.
Do céu ao inferno
No Australian Open de 2009, Safina chegou à segunda final de Slam na carreira, mas foi derrotada por Serena Williams. Em abril daquele ano, Safina enfim chegou á liderança da WTA, contrariando as primeiras previsões sobre sua carreira. Com muita confiança e autoridade, a russa mandou na temporada se saibro, vencendo os torneios de Roma e Madrid e chegando a final em Stuttgart. O grande desafio seria jogar seu primeiro Grand Slam como principal cabeça de chave. Safina começou arrasadora e chegou sem dificuldades às quartas de final (havia perdido apenas 5 games). A russa ainda venceu seus jogos contra Azarenka e Cibulkova e se classificou para a sua terceira final de Grand Slam na carreira, a primeira como grande favorita. O favoritismo parece ter pesado sobre os ombros e Safina, em uma atuação irreconhecível, foi facilmente derrotada por Kuznetsova e deu adeus ao sonho de vencer seu primeiro Slam com uma dupla falta no match point.
Dinara sucumbe às críticas e às dores
Após o “fracasso” em Paris, começaram as críticas por Safina ser líder do ranking mas não ter em seu currículo um título de Grand Slam. A polêmica ainda foi inflamada com declarações da ex-número 1 do mundo, Serena Williams, que questionava o sistema de ranqueamento da WTA, colocando em cheque o merecimento da russa ocupar o topo do ranking feminino (vídeo abaixo). A pressão foi gigante, e Safina não suportou todo o questionamento sobre seu merecimento, acabou perdendo a confiança em seu jogo e acabou sendo eliminada precocemente nos torneios grandes que disputava. Enquanto o mundo inteiro critiva o sistema de ranqueamento, Safina encontrou no irmão famoso um grande defensor. Por diversas vezes Marat Safin tentou blindar a irmã das críticas e a elogiava publicamente.
Para piorar, Safina começou a sofrer com uma grave lesão nas costas, que a tirou do torneio de Wimbledon em 2010 e de outros tantos na atual temporada. A confiança caiu, o ranking chegou a despencar para fora do top 100; a russa perdeu o patrocínio da Adidas; rompeu com o técnico croata que a levou ao topo do ranking, contratou um time argentino e rompeu a parceria após levar uma bicicleta de Kim Clijsters no último Australian Open.
A humilhante derrota no Australian Open fez com que Safina pensasse em por um fim na carreira, mas a russa foi impedida por sua família e voltou ao circuito. Para isso, Dinara contratou o italiano David Sanguinetti, com quem chegou às oitavas de final do WTA de Indian Wells esse ano, seu último grande resultado e dava mostras de estar voltando ao caminho certo.
Mesmo voltando a jogar um tênis competitivo, mas cansada das dores, Safina anunciou, em entrevista que será publicada pelo influente repórter russo Vladas Lasitskas, mas que teve parte do seu conteúdo revelada hoje, que se afastará completamente do tênis por um período indeterminado até que cessem as dores. Perguntada sobre quando voltaria ao circuito, a russa não foi quis marcar data, mas disse que pode ser tanto no início da temporada norte-americana, como no início do ano que vem. Até lá, o circuito perde um pouco de sua doçura e garra; e o “Divã” perde uma de suas mais caricatas pacientes, com seu sorriso inocente, seus ataques histéricos em quadra, sua garra inconfundível…
Abaixo alguns momentos da controversa Dinara Safina.
Última grande vitória da Safina, esse ano, na terceira rodada, em Indian Wells. Olhem só a alegria da moça.
A verdade é que Safina precisa mesmo dar um tempo e procurar uma forma de afastar essa draga desgraçada que a acompanha. Quando o tênis voltava a dar sinais de uma recuperação, as dores voltaram a incomodar ainda mais. Volte (forte) e logo, Dinara!
Fotos: Arquivo pessoal, Getty Images, Zimbio Images


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