- Não, assim não. Muito melhor se tivesse jogado com spin no backhand dele!
Aí você segura o controle, numa empunhadura western improvisada, e golpeia o ar, fazendo a raquete imaginária zunir a centímetros da cabeça da sua namorada. Na sua mente foi perfeito, bola boa, funda, na linha. Ponto certo, e a repreensão da juíza de cadeira (ou de poltrona) não vai tirar essas certezas de você.
Você critica, aponta, simula, calcula e, sem pensar direito em como, sabe que tem a tática certa para jogar contra qualquer adversário. Vira madrugadas no começo do ano para assistir ao Aberto da Austrália, gruda os olhos no placar ao vivo da ATP nos torneios que rolam durante seu horário de trabalho.
Projeta chaves, probabilidades, conhece as habilidades e os trejeitos dos top 100. Adora achar um challenger perdido em um canal de TV, xinga o Daniel Koellerer, exalta a classe de Roger Federer, embasbaca-se com a garra de Rafael Nadal e esquece um pouco do esporte em si ao conferir um jogo entre Maria Sharapova e Caroline Wozniacki.
Filho, você é um tenista de sofá. Eu também. E aqui é nosso lugar para discutir o circuito de forma descontraída.
Sou nascido e criado na capital de São Paulo, estudei Ciências da Computação e Matemática na USP e trabalho na área de informática.
Meu interesse pelo tênis começou assim que chegaram as primeiras transmissões na TV do Brasil. Vi as gerações de Borg, Connors, McEnroe e Navratilova. Nunca peguei numa raquete, mas fui gostando cada vez mais de observar os duelos táticos, técnicos, físicos e emocionais de uma partida de tênis.
Um pouco antes do surgimento de Guga, meu interesse pela WTA era maior que pela ATP, como voltou a ser atualmente. Muito disto se deve ao fato de eu ter visto as extraordinárias conquistas de Martina Hingis. Mas diria que Anna Kournikova também teve alguma culpa nesta parte da história rs.
Cheguei a pensar que fui fã de Sampras, Agassi, Hingis… mas só descobri a dimensão exata do significado de ser fã com Gustavo Kuerten. E, sete anos mais tarde, com Maria Sharapova. Creio que encontrei em Maria uma combinação perfeita. A beleza de Kournikova com a precocidade de Hingis!
Após a o título do US Open 2006, senti necessidade de extravasar meu fanatismo por Sharapova. Comecei a mandar e-mails quase diariamente pros meus colegas de escritório, com textos, fotos, videos, notícias… como se fosse um blog. Foram mais de 150 no período de um ano.
No final de 2007, conheci o Saque e Voleio, do Alexandre Cossenza. Era um novo espaço pra mim, que nunca havia participado de um blog ou algo parecido. Comecei logo cornetando um post dele, sobre a derrota de Sharapova pra Radwanska no US Open. Mas, como diria o Rick de Casablanca, a moça seguiu sua vida e deu-se início a uma grande amizade. Tanto que, recentemente, fui convidado a fazer parte do Teniscópio.
Se no SeV eu fui inconveniente muitas vezes por falar de Maria em qualquer assunto colocado, aqui não terei este problema. Porque esta coluna é totalmente dedicada a ela, Maria Sharapova. Pretendo contar suas histórias, fazer análises pré e pós jogos, torneios, ou apenas fofocar. E se ela se ausentar de vários torneios, não importa: porque pra mim, todo dia édia de Maria!
Video: tributo de um fã aos 20 primeiros títulos de Sharapova.
Agora você:
Como se define em relação a Maria? Goste ou não dela, sua opinião é bem-vinda…
Ei, leitor! Você provavelmente já viu algum jogo de tênis que o resultado parecia certo e, de repente, aconteceu uma incrível reviravolta e o panorama mudou completamente: o tenista que estava com a partida “ganha”, por algum motivo, passa a errar tudo, fica ansioso e vai vendo a vantagem construída ir embora. Ele não quer acreditar no que está acontecendo, mas a vitória, que parecia certa, começa a se desintegrar diante de seus olhos. A quadra encolhe, a rede fica mais alta e as bolas bem menores. Não tem jeito: surgem as duplas faltas, os erros não forçados e tática, nesse momento, já é pedir demais.
Nessas situações as reações são as mais diversas: há os que gritam; que quebram raquete; os que tentam parecer calmos e donos da situação, mas, no fundo, estão psicologicamente desmoronados; os que choram; que brigam com a torcida; que discutem com o árbitro e soltam os cachorros no técnico; os que tentam ganhar um tempinho extra para se acalmarem chamando o fisioterapeuta ou o médico… mas no fim das contas, nada disso irá funcionar e a virada é apenas questão de tempo.
Provavelmente você se recordou de algum jogo que teve esse enredo. Se não, com certeza ainda irá se deparar com algo parecido. A idéia dessa coluna surgiu depois de assistir a mais um jogo com essas características: a partida que parecia caminhar para um final, ou melhor, não parecia, era certo que o resultado seria um, mudou completamente. Sinceramente, eu seria injusto se tentasse dizer em que jogo surgiu essa ideia ou quem foi a minha grande inspiração. Tarefa impossível!
Se você é daqueles que acompanha somente os jogos da ATP, com certeza presenciou menos esses apagões e as viradas impressionantes, mas se você, assim como eu, é também espectador dos jogos da WTA, essa “imprevisibilidade” já não mais te surpreende.
É justamente nesse momento crítico e imprevisível que a partida fica mais divertida e interessante. É um verdadeiro roteiro de cinema, com pitadas de drama, comédia e terror. Se você é fissurado em tática e técnica dos golpes, esqueça! Troque o canal, procure link de outro jogo ou vá fazer outra coisa! Nesse momento já não existem mais estratégias e a técnica dos golpes já se rendeu ao desespero. Quem está enxergando a luz no fim do túnel só pensa em devolver o maior número de bolas possível, a espera do erro adversário; já quem está prestes a chegar ao fundo do poço, começa a pensar no próximo torneio, na briga que terá com o técnico, nas chances que perdeu… Um verdadeiro martírio. Os pontos passam a ser decididos rapidamente. É a famosa tática da Roleta russa, a tenista fecha os olhos e atira, o resultado será uma bola indefensável ou um erro não forçado.
Essa imprevisibilidade é uma das grandes marcas da WTA. Não vou tentar aqui encontrar o porquê disso, pois duvido que alguém realmente saiba essa resposta. É a mesma coisa de conseguir entender as mulheres. Missão impossível.
O título da coluna, uma ideia dos amigos do Teniscópio, é apenas uma referência ao “mundo louco” que é o tênis, especialmente o circuito feminino. Aqui falarei sobre os jogos, resultados e acontecimentos marcantes da WTA, além de, é claro, eventualmente, comentar o circuito da ATP, até porque também gosto de um jogo com variedades táticas, técnicas apuradas e sem muito drama.
É claro que minhas preferências tenisticas terão maior destaque nesse espaço. Então, não se espante se eu sempre arrumar um jeitinho de enfiar uma russa (Vera Zvonareva, Anna Chakvetadze, Maria Sharapova, Dinara Safina, Elena Dementieva, etc) nos meus posts. Aliás, elas estão entre as maiores “loucas” do circuito. Vamos falar sério, o que seria da WTA sem as russas loucas? Uma verdadeira chatice. Darei também destaque aos resultados das tenistas brasileiras, seja no exterior, ou em terras tupiniquins. E, também pretendo mostrar a vocês jovens jogadoras que estão surgindo no circuito e outras que se destacam mais em challengers, e, mais cedo ou mais tarde, irão aparecer na sua tela de TV ou do computador.
Bem vindo ao mundo das pushers & ballbashers, dos rallys intermináveis, da pancadaria da linha de base, das comemorações provocativas, das rivalidades e amizades dentro e fora das quadras, dos balões, dos gritos estrondosos e gemidos censuráveis, das viradas espetaculares, dos match points desperdiçados, das duplas faltas, dos ataques histéricos, das falsas contusões, dos resultados surpreendentes, das declarações polêmicas, do drama, muito drama. Bem vindo ao Fantástico e Insano Mundo da WTA! O vídeo abaixo, mostra um pouquinho desse peculiar universo que é a WTA. Enjoy!
Bate-Pronto
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