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Thaís Macêdo

Faz Relações Internacionais por hobby e não penteia o cabelo. Curte futebol, curling, comparações com o Bob Dylan, infâmia e seus cães. Fã de tênis desde sei lá quando, devota de São Roger Federer desde os primórdios, ainda com aquele cabelinho sofrível.

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Nossa vida de mortos-vivos

Postado em Destaques, Relógios Queijos e Grand Slams

Após madrugadas em claro e certa manhã em pânico, o federista respira aliviado, e o fã de tênis está agraciado. Ainda em sua metade, com 7 dias concluídos, o Australian Open felizmente já teve o poder de surpreender, que é algo muito necessário a um Grand Slam. Escrevo aqui após uma partida de 4 horas e 44 minutos (leiam com ênfase) entre duas mulheres, um ‘ponto morto’ na quadra, a desistência de vários atletas por problemas físicos, além da queda precoce de muitos dos ‘grandes’ e, vejam vocês, o sufoco pelo qual passou Roger Federer em seu jogo de segunda rodada. Para melhor comentar o que foram nossos 4 embates até aqui, dou a ele a palavra e depois me pronuncio. Vamos lá:

Primeira rodada – Lukas Lacko – 6-1 6-1 6-3

P. Esse foi um dos melhores começos que você teve em um Grand Slam?

ROGER: Não sei. Não lembro de todos os meus primeiros jogos, para ser bem sincero.

Mas penso que joguei muito bem. Tentei ser agressivo desde o início e ver no que dava. Não funcionou. E então eu recuei e joguei de forma mais arriscada e daí por diante.

Mas eu fui capaz de continuar pressionando, colocá-lo com o pé atrás. Não fiquei surpreso quando ele começou a querer entrar no jogo, em certo momento do terceiro set. Penso que foi uma boa partida e não acho que ele tenha jogado mal. Eu pude ver talento nele, também, e é por isso que me alegro por ter escolhido aquelas táticas cedo, para pressioná-lo.

É ótimo que tenha funcionado. Por fim, obviamente estou feliz.

Sim, foi excelente. Infinitamente melhor do que o último AO, já que dessa vez não houve Andreev para ganhar o primeiro set do primeiro jogo. Isso porque nem precisamos comentar as outras primeiras rodadas de GS de 2010, como o pesadelo em 5 sets imposto por Alejandro Falla em Wimbledon, ou o Grand Willy amigo levado por Brian Dabul no US Open, onde o placar do jogo foi apenas um pouco mais piedoso do que com Lacko.

Em momento algum Roger saiu da zona de conforto. Abusando da precisão em trocas de bola e deixadinhas, supriu as expectativas de quem esperava uma estreia maestra. Quando Lacko finalmente decidiu que iria parar de rir um pouco de sua situação, arrancou 3 games no terceiro set, de 5 no total. Até aí, tudo como sempre gostamos de ver.

Segunda rodada – Gilles Simon – 6-2 6-3 4-6 4-6 6-3

P. Você nos alertou há 2 dias atrás que seria uma partida apertada e dura. Você de fato esperava que fosse ser tão difícil?

ROGER: Bom, 4 ou 5 sets, qual é a diferença? Mas, sim, ao final do dia estou feliz por ter passado, e é a isso que se resume. Não importa se você vence em em sets seguidos ou em 5 sets. Apenas continue indo adiante na chave e se dê a oportunidade para a próxima partida, talvez um oponente com o qual você se habitue melhor ou condições que permitam ser mais rápido do que essa noite, suponhamos. Jogue na sessão norturna, mantenha-se vivo e sinta-se bem.

Isso é tudo que importa. Eu penso que a partida foi ótima, jogamos em alto nível por um bom tempo. Obviamente é difícil ver que, assim como Hewitt e Nalbandian na partida de ontem à noite, alguém tem que perder, quando uma partida tão genial está acontecendo.

Mas penso que joguei muito bem e estou muito feliz.

Bate na madeira 3 vezes. Simon decidiu que iria acordar novamente top 10, e nada melhor do que contra alguém que já venceu em duas ocasiões anteriores, não é? Não, não para você que, assim como eu, tomaria com prazer um Lexotan ao fim do jogo.

É bem verdade que Simon virou a Fênix depois dos dois primeiros sets, mas é inegável também que Roger deu aquela ajudada. Com os bilhetes para Júpiter carimbados, lá se foram a precisão e a agressividade, além da incapacidade de perceber que Simon só alimenta suas crianças com UMA jogada, que basicamente consiste em atacar de forehand na paralela sem chance de defesa, e isso ter custado a palpitação coletiva até a retomada do controle no quinto set, com uma quebra no sexto game.

Inegável que domar os nervos, quando eles estão rebeldes, é atitude de campeão, mas não dá para compartilhar dessa opinião de que a partida, para ele, foi excelente. Concordamos em uma coisa: Passar é realmente o que importa. Nisto, sempre confiaremos.

Terceira rodada – Xavier Malisse – 6-3 6-3 6-1
P. Um bom jogo após os cinco sets da outra noite. Feliz?

ROGER: Sim, a partida com o Simon foi boa, também. Não faça parecer ruim só porque foram cinco sets. Normalmente elas são disputadas em alto nível por um longe período de tempo.

Penso que hoje também foi intenso. Os dois primeiros sets quase não refletiram o quão dura a partida poderia ser, ou o quão dura foi. Digo porque quebrei um pouco da vontade dele, quando ele estava levando o segundo set por 3-1. Então, fui capaz de voltar para o jogo e vencer 11 games seguidos, o que foi obviamente satisfatório. Fui capaz de tentar coisas diferentes.

Bom, se eu sobrevivi a  cinco sets contra alguém com retrospecto positivo de vitórias, não seria Malisse a me fazer arrancar os cabelos enrolados. E não foi, é claro. Ambos se conhecem desde que eu nasci, e perder para o Malisse talvez tenha sido uma opção apenas no jardim de infância. Isso ajuda a entrar confiante no jogo e deixá-lo sem opções, apesar das boas bolas que o belga é capaz de apresentar. Mas, claro, também ajuda a dar a nossa querida, e dessa vez breve, desligada. No fim das contas, o teste maior foi o calor, que parecia realmente presente e me fez pensar em como ele está economizando energia para os jogos diurnos. Não que seja um problema, mas poupar o físico é sempre uma boa.

Oitavas-de-final – Tommy Robredo – 6-3 3-6 6-3 6-2

P. Mais uma doce vitória hoje. Mais um pequeno passo até a coroa.

ROGER: Ah, sim, é um passo na direção certa. Estou feliz por ainda estar firme e forte no torneio. Foi uma partida dura. Eu sabia que Robredo viria para cima, com um monte de golpes insanos, e me faria merecer a vitória. Ele não iria simplesmente me entregar a partida.

Penso que ele realmente foi capaz de jogar firme lá para o meio do segundo set. Eu realmente não tive muitas chances no saque dele, assim como ele também não teve no meu, no primeiro set. Porém, eu encontrei um caminho. Fui capaz de jogar um pouco mais agressivo e meio que não cometer mais os erros estúpidos do final do segundo set, o que de fato me custou o set, acredito.

Fui capaz de superar.

Robredo é um erro. Como jogador, como pessoa, como qualquer coisa. O pouco de respeito que eu tinha por ele se foi após duas tentativas canhestras de acertar a bola em cima do Roger, de forma clara e objetiva. A abaixadinha e, em seguida, a virada de costas ao escapar de uma delas mostra, parafraseando a @sheilokavieira, porque o Federer é o Federer e o Robredo é só o Robredo. Pior ainda foi o segundo set, cedido e perdido basicamente por culpa de um swing volley miserável de tão ruim e um péssimo voleio, que correu para fora. Quebrando no 4-3, Robredo se sentiu confortável para acreditar com unhas e dentes que poderia ir longe. Mau Robredo. O set foi perdido, mas o desprezo pelo ensandecido espanhol não,  o que possibilitou a vitória em 4 sets sem maiores problemas.

So far, so good.

O que esperar do Wawrinka? Não sei exatamente. Tanto respeito quanto MUITA disposição para o jogo. Adoro o Wawrinka, mesmo sendo um zé mané. Uma pessoa que larga a família para se dedicar exclusivamente ao tênis merece, no mínimo, que eu espere para vê-lo em quadra, jogando tudo o que sabe e pode contra aquele que considera, assim como nós, o maior de todos. Sei é que o Roddick não foi páreo. O Roddick foi chacota mesmo, coitado. Quem mandou não levar os EUA para as quartas-de-final em um Grand Slam de quadra dura? Era a última esperança… Sobrou para ele. Pena. Queria vê-lo no próximo jogo. Porém, que venha Stanislas.

Até.

* Traduzi diretamente as perguntas para evitar a fadiga, mas as entrevistas originais e completas estão disponíveis no site do Australian Open.

** A foto foi postada por ele, em sua ótima e já mencionada página do Facebook. Lindo, não? Heh.

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Ei, olha pra cá…

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Ah, a Austrália! Não é meu Grand Slam favorito, confesso. Horários ingratíssimos para os habitantes das Américas, sol e calor de matar jacaré na sombra (e de nos fazer morrer de pena dos “ovs” e “enkos” do torneio), que bem ou mal comprometem o rendimento dos tenistas, aquele MUNDO AZUL dentro da quadra, que me causa dor de cabeça nos jogos diurnos, o piso revolucionário que gruda os calçados etc… Mas não dá para negar que já passamos por alguns dos grandes melhores e grandes piores momentos, ali.

Foi o décimo Grand Slam conquistado, o choro de alegria em 2006, o choro de tristeza em 2009, a mononucleose desesperadora de 2008, a eliminação na semifinal de 2005, pelo então futuro campeão Safin, que me tirou o chão por alguns dias, a surra épica no Roddick em 2007 e por aí vai. Além disso, é um torneio para lá de irreverente e com um público super aconchegante, coisa que acho importante. Por mais que eu adore Wimbledon, talvez fosse um pouco difícil a convivência entre mim e o tiozinho de gravata borboleta ao meu lado. Enfim.

Certamente com o número 17  na cabeça, desde que chegou em Melbourne Roger treina. Treina e treina mais um pouco. Com exceção do tempo que será gasto em um jogo exibição, para arrecadar fundos de ajuda à população de Brisbane, devastada pelas enchentes, Annacone e Paganini aparentemente andam com pouco tempo de folga. Roger sabe, tanto quanto nós, o que a Austrália reserva. Acho que ele sabe exatamente como se sentirá em quadra, como lidar com o piso e, também, como a chave do torneio é previsível. Deve olhar e falar: ‘Moleza até as oitavas, Djokovic na semi e possível final com alguém duríssimo ou com algum freguês de pequena carteira. Agora, vamos bater bola’. E é bem verdade que o torneio não gosta de contrariá-lo. Em 2011, será?

A primeira rodada é com Lukas Lacko, aquele bonitinho que arrancou um surpreendente GoodYear do número 1 do mundo, em Doha. Nunca se enfrentaram, mas andei vendo uns highlights do garoto. Meu otimismo exacerbado não me faz pensar em algo além de jogo-treino. Na segunda, Gilles Simon e, pronto, não venha me dizer que você não está aí, com uma mosquinha rondando em torno da cabeça, dessas que não param de falar que só houve 2 confrontos e Simon venceu ambos. Eu estaria também, neurótica que sou, mas respiro fundo e lembro que eles aconteceram em 2008. E então, penso que o Roger de 2008 foi parar na Sibéria, enquanto o nosso Roger de 2011 está arrancando suspiros. Além do mais, o Simon de 2008 disputou ATP Finals, algo ainda inalcançável para o Simon de 2011,  41 do mundo. Portanto, mate essa mosca, nós vamos em frente. E vou mudar de parágrafo, esse aqui já está enorme…

É muito surreal achar que o Malisse possa alcançar a terceira rodada? É, talvez. De qualquer modo, Malisse ou Montañes, vou estar com as pipocas preparadas. Digamos que seja o Montañes. Daí você lembra desse mesmo jogo ano passado, na mesma rodada, vencido por 6-3 6-4 6-4, e sabe que poderá dormir tranquilo ou sair para trabalhar em paz. Chegamos às oitavas e aí, Querrey, Robredo ou Fish? Aposto em Fish e suas meias de moça, mas, para todos os adversários, aposto também em um jogo chato. Tomara que não seja daqueles que começam às 2 da manhã, pois não haverá qualquer perigo capaz de me acordar, caso eu caia no sono profundo. Estamos nas quartas e prefiro ignorar a capacidade circense de Monfils e a ‘nerdice tenística’ do Wawrinka, algo que poderá levá-los até lá. Eu QUERO porque QUERO crer no Roddick, até as quartas.

Eu não sei o que se passa na cabeça de um tenista após um tormento destes. Não sei se ele preferiria continuar dormindo, ou encara uma catástrofe dessas como um grande aprendizado. Que seja, também não acredito que algo assim se repita (como não se repetiu em 2009, por exemplo, na semifinal). Roddick vem de final em Brisbane. É um bom começo de temporada e deve se refletir no AO. Gosto desse jogo pelo valor histórico que ele tem,  mas acredito em um agradável, porém trivial, confronto, caso ele de fato não pare em um Wawrinka ou um Monfils desses… E vamos à semi? Querem pensar em Berdych, Davydenko e Verdasco, ou vamos direto ao Djokovic? Vou de Nole.

Não sou capaz de dar opiniões, pensar ou respirar nesse jogo. Se me dissessem, em 2007, que aquele Novak Djokovic, fedelho dono de uma admirável posição 16 do ranking, nada além de um obstáculo pequeno nas oitavas, superado em insossos 3 sets, seria o mesmo que me faria perder o sono alguns anos depois, eu talvez fosse capaz de não acreditar. Digo ‘talvez’ porque era claro que ali estava um grande tenista em formação, mas qual é o sujeito federista que seria capaz de acreditar, naquela época, que alguém aprenderia relativamente bem a como se ganhar de Roger? A nossa sorte é que não somos fãs de tenista bobo. Somos fãs do tenista que já o venceu 16 vezes em 19 jogos, sendo 10 deles semifinais. É mais ou menos como se, de uns tempos para cá, para ter troféu, tem que ter Djokovic na semifinal. Ou seja, não acredito em facilidade, mas acredito em Roger focado.

E aí, queridos… Façam suas  apostas para a final. Fico com Roger Federer x Marcos Daniel.

Marcos Daniel, em versão australiana.

Fiquem à vontade para dar impressões. Nos vemos em breve, fellas.

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Forever Young

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Roger Federer tem 29 anos, fará 30 neste. Essa é a idade em que a maioria dos tenistas já começa a pensar na casa de veraneio em que irão viver ou nos projetos de caridade que apoiarão durante a aposentadoria, assim como, os mais necessitados, em que canal de televisão serão comentaristas, repórteres etc. Entretanto, imagino eu que duro, para quase todos, é ver como Roger inicia cada temporada. Não é possível que um tenista profissional consiga ser tão amigo, tão querido e tão parceiro de seu corpo, como ele é.

Sendo eu uma boa federista, esse título em Doha, o terceiro do torneio e 67° na carreira, veio para encher meu peito de esperança na defesa do troféu da Terra dos Cangurus. Não pude ver todos os jogos, mas os dois que vi foram suficientes para acreditar que, pelo menos nessa primeira rodada da temporada, de muito calor + quadras rápidas, veremos tudo o que ele pode oferecer de melhor. Ano após ano, título após título e recorde após recorde especula-se se, afinal, agora ele ‘perderá a motivação’. É mais fácil quem se pergunta tal tipo de coisa perder a motivação para isso, antes dele.


(Tentem não morrer com essa aberração narrando. Recomendo colocar no mute.)

Tsonga tinha as feições de quem parecia estar sofrendo bullying, cheio de vontade em um primeiro set que terminou em menos de meia hora, num tradicional 6-3. No segundo set potencializou sua capacidade de dar a vida em quadra, o que deve ter sido ainda mais frustrante pois, apesar de levar até o tie-break,  é de dar nos nervos a serenidade federiana te exterminando em 1 hora e 24 minutos, enquanto você está jogando uma final de Grand Slam do outro lado. Bad oponent day para Jo-Wilfried, que poderia ter ganho o jogo, fosse outro o oponente, e o oposto para Davydenko, que enfrentou um Nadal que dormiu mal, comeu mal, se gripou ou, sei lá, apenas começou tendo mais um péssimo kick-off de temporada, e se garantiu novamente na final.

Roger decidiu então que nada estragaria seu sábado. Em menos tempo do que a semifinal, liquidou o Kolya como se aquela final do ano passado não tivesse existido e tirou da mão dele a taça com duas aulas de 6-3 6-4. Se eu não soubesse que ele deve estar ganhando milhões por fora, diria que aquele cheque de ‘apenas’ $177,000 não fez jus à beleza que foi vê-lo em um tardio auge mostrando que, se é para ser ‘melhor-de-todos-os-tempos’, então que o seja até quando puder pisar em quadra. É por causa de torneios assim, semanas como esta, que este senhor se tornará avô e continuará sendo uma inspiração para qualquer apreciador do esporte. Bacana, não é?

Apesar de ter passado em branco no primeiro set, Davydenko foi capaz, durante o jogo, de mostrar que com o pulso consertado e as pilhas recarregadas ainda pode proporcionar o bom tênis que o fincou com cimento durante temporadas como top 5, no que lhe resta de carreira. Gosto dele, gosto da consistência e da regularidade do seu jogo. No discurso logo após o fim da partida, Roger fez justiça ao lembrar que o lugar dele é lá mesmo, onde ele esteve por tanto tempo, algo do qual concordamos plenamente. Volta com tudo, Kolya!

E o que falar de Abu Dhabi, na semana anterior? Torneio exibição, jogos que nunca consigo assistir, a final perdida para o meninão lá… Bom, é uma imbecilidade, mas confesso: o que importa mesmo nas exibições, para mim, é vê-lo jogando de relógio. Acho da mais pura elegância. Valeu aí, Rolex.

Vamos todos para Melbourne agora. Estou só esperando a chave sair e com ela os primeiros horários, para começar a programar meu relógio biológico em função do torneio. Olha, seria no mínimo justo se, ao se aposentar, ele resolvesse me recompensar pagando uma boa consulta com um endocrinologista ou algo que o valha… Adoro o Australian Open, mas não é fácil, não.

Até!

obs1.: A foto com o troféu não é da melhor qualidade pois foi tirada com o celular dele (ou de alguém da equipe) e postada na sua página do Facebook. Para quem não o ‘curte’ por lá ainda, super recomendo. Ele atualiza o tempo todo e adora tirar foto de tudo quanto é lugar em que vai ou que está. É um viciado!

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As alegrias que só ele me dá

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Enfim, cá estou. Deveria ter escrito isso há quase 2 semanas atrás, mas eu queria (precisava) que as pessoas entendessem que eu tenho necessidade de viver de tênis. Que é o que me faz feliz. Que todas as minhas provas e trabalhos acadêmicos poderiam ser sobre tênis. Que meu trabalho fosse: “Vá lá, leia e escreva mais sobre tênis. Ainda não o fez o suficiente”. Mas, né, daí eu caio da cama e a vida nesses dias é tudo para mim, menos tênis.

Além do tênis, há vezes em que eu queria viver de Roger. Sabem, o meu time foi campeão brasileiro dia desses e, no auge da felicidade suprema que acomete um cidadão em uma situação dessas, eu realizei que ele me proporciona o mesmo tipo de sensação, assim, pelo menos umas 2 ou 3 vezes por ano, no mínimo. Logo, posso dizer que Roger me faz feliz. Que todas as minhas provas e trabalhos acadêmicos poderiam ser sobre Roger. Que meu trabalho fosse: “Vá lá, leia e escreva mais sobre Roger. Ainda não o fez o suficiente”. Bom, já chorei demais no ombro de vocês.

Chorei demais aqui o que não precisei chorar no domingo retrasado. Esperavam algo tão fácil assim? Ok, ok, o Senhor Touro “estava cansado, jogou 3 horas no dia anterior” e todo aquele bla bla bla… Mas querem saber? A mim não interessa por que perdeu. A mim só interessa por que Roger ganhou, e ele ganhou porque sua atuação no torneio estava algo que apenas uma palavra, em inglês, passa pela minha cabeça ao definir: Flawless. Já perdi o receio de Londres, de sua quadra lenta, de seu frio arrasador nesta época do ano. Gostava de Xangai, gosto mais ainda de Londres. Acima de tudo, gosto do ATP Finals.

Em meio a sanduíches, pipocas, empadinhas (Uma certa pessoa, que inclusive tem um blog aqui, me acolheu em sua casa para poder ver o jogo ao vivo e me acha magra demais) e muita conversa fiada, aquele foi o único jogo do torneio que consegui assistir pacífica e apropriadamente. Passei a semana trabalhando e estudando e na semifinal minha pequena cã decidiu que iria quebrar a pata, bem no horário do jogo. Dessas sortes que eu tenho com o tênis, algo que vocês perceberão. Talvez por isso estivesse tão desencanada quanto ao resultado ou quanto aos métodos que ele utilizaria para ganhar. Fiz bem, porque se tivesse ficado nervosa ou ansiosa demais, como geralmente acontece antes de um confronto entre os dois, teria sentido um vazio, daqueles de ter tanto sofrimento por nada.

De qualquer maneira, as coisas ocorreram mais ou menos como eu previ no último post, em especial sobre a atuação do Murray. O jogador de loteria, que é o que ele é, faz um jogo bastante vagabundo contra um, daí em seguida põe o outro para correr durante 3 horas  e tem reais chances de vitória. É de loteria também o adversário que ele escolhe para complicar a vida, então os Espíritos Anciãos da Floresta quiseram que, dessa vez, Roger escapasse dessa. “Chupa essa manga, Nadal!”. Algum federista não pensou dessa forma? Aliás, que jogo foi aquele, não?

6-3 no primeiro set e “Meu Deus, Federer começou como um monstro. Nadal está visivelmente morto. Federer está com o backhand no lugar. Acho que isso vai acabar em 2 sets”. 3-6 no segundo set e “Olha lá, Rafa está reagindo. Ele não vai entregar assim tão fácil. Para variar, Federer está dando aquela viajada. Rafa vai levar esse, mas no próximo não aguenta. Eu não duvido do Nadal, não. Será? Roger está quase perfeito”. Por fim, 6-1 e “É, acabou mesmo para o Nadal. Federer flutua, Nadal se arrasta. Mas apenas um game mixuruca, Nadal? É, agora acho que ele quer que acabe logo…”

Game, set and match, Roger Federer. E a minha conclusão final sobre o jogo é: Me deixou mais nervosa e apreensiva esta queda BIZARRÍSSIMA dele, ao tentar dar uma arrancada, do que a coisa toda que foi o duelo. Sensação de paz que eu não sentia faz tempo. Acho ele previu que eu precisava economizar coração para o próximo domingo, afinal, um time esperava para ser campeão e não seria tão fácil assim. Valeu, Roger. Tem certas alegrias que só você me dá. Entende por que é fácil te amar?

E fim de papo. Volto em breve (breve MESMO) com algum balanço da temporada.

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Ei, você aí, sorteador de chaves…

Postado em Relógios Queijos e Grand Slams

Não sei quem é ou como acontece, mas o sujeito que faz esse sorteio do ATP Finals costuma ter mão boa. Roger encabeça o grupo B, seguido por Robin Soderling, Andy Murray e David Ferrer. Após ler a notícia, fazendo tranquila a digestão, divido minha opinião com vocês: só complica se quiser.

A relação Roger x Soderling em quadra para mim funciona como uma tabela proporcional. Mais ou menos assim: para que o Soderling pudesse ganhar uma partida, foram necessárias 14 derrotas. Ou seja, para que ele possa vencer novamente, serão necessárias outras 14 derrotas, e ainda faltam 12. Deu para sacar? Deu para sacar que é uma grande idiotice também, mas, teorias à parte, não vejo Soderling “albatrozar” nas bolas e ter grande sucesso, como se o adversário do outro lado fosse um mero devolvedor mediano, em uma quadra rápida. Espero estar certa, espero que Roger esteja certo.

Já Andy Murray deve ser aquele que me fará adiar as refeições (pois gosto de fazê-las em paz), ou não. Acreditar que Murray trará problema certo é quase como acreditar 100% na metereologia. Há dias em que você deixa de ir à praia porque disseram que ia chover,  então abre a janela e, bingo, o céu está cinza como uma ostra. Entretanto, há também aqueles feriados anunciados como chuvosos em que você ri da cara dos meterologistas jogando frescobol na praia. Eu prefiro não temer esse jogo. Prefiro encará-lo como o confronto entre um sereno Roger e um escocês-pressionado-e-inconstante Murray. Ingleses costumam ser bons nisso.

Bom, David Ferrer… Vá ali e pegue sua xícara de café-com-leite. Eu até gosto, e gosto muito, do Ferrer. Inclusive, acho injusto quem se choca com a presença dele no top 10, mas não fala nada sobre o Almagro ser 15 do mundo, por exemplo. David triunfa pela regularidade, pelo amor recíproco existente entre ele e a linha de base. Tem vontade e disposição. Tem também que aprender a vencer, coisa que, se não aconteceu em 4 oportunidades no saibro (excluindo as outras 6 em quadra rápida), não deverá acontecer em Londres.

São mais expectativas do que fatos que se concretizarão? Talvez. Mas eu costumo acreditar em Roger quando ele diz que, focado, ninguém o bate. O problema é só isso, o ‘focado’. Deixa eu repetir aqui, sr. Federer, o que disse lá no primeiro parágrafo: só complica se quiser.

Aguardemos.

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O que dá errado?

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A conquista de Roland Garros, em 2009, infelizmente não serviu para que todos os caminhos parisienses fossem abertos para Roger. Por mais que o adorem (embora a torcida francesa seja naturalmente mais exaltada quando um dos seus está em quadra), a melhor palavra que define Paris, para ele e seus fãs, é frustração. É SÓ isso que gera a derrota para Gaël Monfils, em uma PRIMEIRA semifinal no torneio. Quando foi a última vez que Roger alcançou pela primeira vez a semifinal de um torneio previamente disputado? Ou então, quando é que ele perderia para o Monfils, em uma das quadras mais rápidas do circuito, após desperdiçar 5 (CINCO) match points?

Desculpa de federista ou não, que ele não estava bem era nítido. Não me refiro à clássica Viagem Intergalática, aquela que ocorre quando ele para de pensar em tênis e começa a pensar, sei lá, em qual vinho irá tomar na janta, mas sim ao incômodo que ele demonstrou durante o jogo inteiro. Desde o Australian Open de 2008 eu sou atormentada pela expressão de desconforto dele, quando há algum.

O primeiro set terminou em um tie-break que anunciou o que seria o jogo: Monfils em uma lona de circo, como sempre, jogando o que sabe, e Roger jogando meia bomba, mas com condições de vitória, daquelas que viriam doloridas após três breakpoints salvos, devoluções domingueiras etc. Típico.

Apesar da melhora no segundo set, percebemos de vez que havia um traidor entre nós, e este era o slice. Quando o slice não está bom não há muita esperança para a humanidade, porque there’s no such thing as a ‘bad slice day’ para Roger Federer. O que fazer quando Monfils começa a se sentir confortável na linha de base, chorar? Apesar disso, segundo set ganho (outro tie-break para testar nossa saúde), punho fechado e vitória no terceiro set esperada.

E esperada com razão. Quebrar o saque do adversário, abrir 4-1, ajeitar serenamente as cordas da raquete e…e… Perder a quebra, degringolar de vez na regularidade e madeirar como se não houvesse amanhã. O jogo se iguala. O combo de match points, conseguidos na marra, é desperdiçado. Mais um tie-break. Derrota. Por tudo o que Paris já me fez passar, não houve outra reação além de fechar os olhos e suspirar.

2000, jovem Federer derrotado no terceiro set por Dominik Hrbaty. 2001 e o tie-break perdido para Jiri Novak, também no terceiro set. 2002, vitória incontestável do imbatível Lleyton Hewitt. O miserável tie-break (mais um!) perdido em 2003 no primeiro set do jogo contra Tim Henman, para entregar o segundo e perder por 7-6 6-1. A ausência no torneio durante os 3 anos seguintes, provavelmente por perceber que a urucubaca é forte. O retorno em 2007 e a derrota para David ‘Ronaldo’ Nalbandian, em mais um, guess what, tie-break. Em 2008, Roger contra James Blake, oba! Adoro o Blake, acho que o jogo será ótimo e ‘Roger Federer abandona o torneio devido à lesão nas costas’, ok, fica para a próxima. E não ficou para a próxima porque em 2009, não me lembro de ter sentido um vazio existencial tão grande como o que senti na ocasião da derrota para JULIEN BENNETEAU, na segunda rodada do torneio. Mentira, até lembro, mas o Cañas não entra em questão…

E chegou 2010. 2010 com 12 vitórias seguidas, 2010 com a chave adoravelmente aberta, 2010 sem lesão alguma. 2010 com a primeira derrota na carreira para o Monfils. Onde mais poderia ser, além do bendito Palácio de Bercy?

Para fechar o desabafo, um presente sutil  para o Torneio Masters 1000 de Paris:

Até breve.

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Mito em palavras.

Postado em Relógios Queijos e Grand Slams

Difícil tarefa, essa que resolvi assumir neste blog.

Roger Federer é uma pessoa que não necessita que nada mais seja dito a seu respeito. Estão aí, na história, fatos que falam por si só. 16 Grand Slams, 65 títulos, 736 partidas vencidas, um penteado irretocável, 3 litros de suor a menos que seus adversários em cada jogo e uma coleção de rótulos que o classificam como ‘Greatest Of All Times’. Daí vem o apelido GOAT. Entretanto, blogs que utilizam o termo GOAT existem por aí aos borbotões, coisa que não ocorre com os que utilizam o termo MDTOT *Melhor De Todos Os Tempos*, o que transforma esse nosso humilde espaço em um lugar aconchegante para se falar do meu, do seu, do nosso querido suíço. Bom, pelo menos é o que eu pretendo. Ok, tentarei ser mais humilde.

E como se faz um blog? Vamos ver… Como Roger é o que pode se chamar de *Conquistador* (acostume-se com o uso de termos, por vezes, infames), nenhum título é só mais um título. O último, o ATP da Basileia,  na calmaria com que foi alcançado representou:

1) O tetracampeonato em casa.

2) Deixar Pete Sampras comendo poeira mais uma vez. Neste caso, na quantidade de torneios vencidos.

3) Vencer o Djokovic na final. Não, este blog não fomenta inimizades, mas vencer o Djokovic em finais é algo que, de uns tempos para cá, vem trazendo gostinho de bala à boca de alguns federistas.

O histórico dele nesse torneio é memorável e tem bons momentos registrados. Alguns deles:

Andre Agassi jogando contra um magrelo de 17 anos em seu primeiro ano como profissional, que mal cabia nas roupas. “Talvez tenha um bom futuro, esse menino”, deve ter pensado Agassi, mesmo ganhando por 6-3 6-2.

A final de 2001, perdida para Tin Henman, que viria a se tornar grande amigo e adversário fácil depois de algum tempo, por 6-3 6-4 6-2. Há aí: o primeiro Grand Willy registrado, e também o primeiro choro. Como todos os outros, é de cortar o coração.

Por fim, um dos momentos de maior genialidade técnica, contra um adversário que, como todos nós sabemos, é propício para esse tipo de coisa:

Essa sobrenaturalidade foi em 2002, em um jogo vencido por 7-6 6-1. E aí você pensa: puxa, como terminou esse game?

Bom, eu espero que alguém tenha oferecido uma cerveja ao Roddick depois do jogo…

Por essas e outras é que eu declaro aqui, de cara, meu amor por torneios no carpete indoor.

Essa tentativa de post trouxe boas recordações, não? Volto em breve.