Sharapovices
Postado em Golden Racket
Acabou a temporada dos dois quase-Grand Slams que acontecem back-to-back nos dois extremos dos Estados Unidos. Os dois número 1 do mundo, Djokovic e Azarenka, levaram pra casa cada um o seu. Aga Radwanska, que anda ciscando em torno do topo do ranking há algum tempo, também saiu sorridente. Enquanto isso, a grande novidade foi o triunfo de Federer, que faturou Indian Wells batendo Rafael Nadal na semifinal. OK, como se Federer ganhando um título de Masters 1000 fosse uma grande novidade.
Para outros, entretanto, a sorte não foi tão generosa. A número 1 Victoria Azarenka socou as próprias coxas, derramou lágrimas e borrou o rímel ao ser derrotada por Marion Bartoli em Miami e colocar um ponto final em sua série de 26 vitórias. Andy Murray foi Andy Murray e perdeu a final de Miami para Djokovic. Mas para uma jogadora em particular, o primeiro trimestre do ano foi especialmente marcante.
Ah, tá, Sharapova
Em meados do ano passado, quando ninguém aguentava mais ver Caroline Wozniacki como número 1 do mundo e as lesões pareciam ter dado um break pra Sharapova, parecia que a russa voltaria para reclamar de vez o primeiro posto do ranking, quando alcançou a final de Wimbledon (aquele mesmo). Mas, ao invés de brilhar, Maria foi ofuscada por Petra Kvitova, que despontou como aquela que tinha tudo pra ser a nova rainha do tênis, mas que acabou terminando o ano como número 2.
Veio 2012, e logo em janeiro já começava o primeiro Grand Slam do ano. O lado WTAno do Australian Open já iniciava o ano em polvorosa, quando um bando de jogadoras entravam na chave com chance de se tornar número 1 do mundo. Pois Sharapova, uma das candidatas, levou toda sua experiência à final contra Victoria Azarenka. E aí começou a sina vascaína da musa russa. Maria perdeu para Vika com direito a pneu, deixando mais uma vez os holofotes sobre a adversária. Azarenka ganhou seu primeiro título de Grand Slam e virou número 1. Sharapova? Fuéns.
Tudo bem, ainda tem Indian Wells e Miami
Depois de uma aparição discreta em Paris, Sharapova seguiu para Indian Wells como número 2 do mundo, no encalço de Vika. Antes do torneio, porém, um sinal de mau agouro: em jogo-exibição contra a fanfarrona Caroline Wozniacki, que lá pelas tantas resolveu entregar a raquete na mão do namorado, Sharapova conseguiu a proeza de perder um ponto para o golfista Rory McIlroy.
Apesar do fiasco contra o golfista da Wozniacki, Maria conseguiu emplacar outra campanha fulminante em Indian Wells, deixando as musas Maria Kirilenko e Ana Ivanovic pelo caminho para chegar novamente à final. Novamente, contra Azarenka. E novamente, um vice.
Tudo bem, ainda tem Miami
Em Miami, Vika acusou o cansaço contra Bartoli e não conseguiu chegar à final. Sharapova parecia franca favorita para conquistar seu primeiro título na temporada até se deparar com Radwanska na final. A polonesa, que também tem em Azarenka sua espinha atravessada na garganta, derrotou Maria em sets diretos. Sharapova ficou com o vice. De novo.
Bitch!
Não tenho acompanhado assim tão de perto a evolução (ou não) de Sharapova durante este ano. Ouvi de fontes seguras (certo, George?) que Maria tem tentado fugir um pouco do seu feijão-com-arroz de dar pancadas na bola da maneira ensandecida, o que é sempre um alívio. Eu particularmente tenho achado a sua campanha este ano bastante peculiar. Na minha opinião, Sharapova não é uma jogadora de vices. Ela tem a força mental e a experiência para sobrepujar as adversárias nos momentos decisivos. Supus que poderia ser alguma espécie de bloqueio psicológico contra a Vika, ou simplesmente uma superioridade flagrante da bielorrussa, mas a derrota para Radwanska jogou todas as minhas teorias pelo ralo. Também ouvi que poderíamos esperar uma recuperação na temporada de saibro. Sim, aquela superfície onde Sharapova disse se sentir uma “vaca no gelo”. Talvez a fome da russa por fechar seu Grand Slam possa lhe render uma boa campanha em Roland Garros, mas e até lá? Não tenho dúvidas de que Sharapova é uma jogadora campeã. Mas este ano, por enquanto, só o que tivemos foram Sharapovices.




Certo, né Joana? Fazer o que…
Sharapova não era de perder finais. Mas como venho dizendo, alguns mitos vem sendo derrubados. Que Carol não venceria Serena, que Ana não vence tie-breaks, que as Williams entram nos torneios pra vencer quando quiserem…
Espero que os próximos tabus a cair sejam: Carol vencer um GS e Maria vencer Roland Garros.
Bjs!!!