Brasil Open do Balacobaco

Postado em Golden Racket

Acaba de acabar a edição 2012 do Brasil Open, o único torneio ATP em terras nacionais. E estamos no meio do Carnaval. Não vou me surpreender se daqui a pouco começarem a pipocar na internet fotos dos tenistas que disputaram o torneio, rodeados por mulatas seminuas, ensaiando aquela sambadinha gringa de cintura dura. Mas espera aí! Na verdade essas fotos já saíram. E no meio do torneio!

Não era terça-feira de Carnaval, mas Nalbandián caiu no samba

O Brasil Open saiu da Costa do Sauípe, um resort paradisíaco incrustado no estado da Bahia, no meio de lugar nenhum, e veio para São Paulo, aproximando-se do público tenístico e de um clima mais “profissional”, por assim dizer, para um torneio desse porte. Mas como atrair para os jogos a atenção que eles merecem — tanto por parte do público quanto dos jogadores — quando o evento está metido na mesma semana daquela que é simplesmente a maior festa do país? Será que os benefícios em termos de turismo (quem vem ao Brasil curtir o torneio já pode ficar direto pro Carnaval, será essa a mentalidade?) compensam comprometer a seriedade do torneio? Afinal, existe interesse em recolocar o nome do Brasil em lugar de destaque no cenário do tênis internacional? Existe confiança de que nosso público tenístico seja capaz de encher ginásios e apreciar bom tênis? Ou somos mesmo o país do Carnaval que aproveita essa fama para abiscoitar um pedacinho do circuito da ATP? Será que essa tríade Brasil-Carnaval-Tênis é uma boa combinação?

Por outro lado, imaginar que a data do Brasil Open foi escolhida a dedo para aproveitar o potencial de turismo internacional parece contraditório quando vemos que o site oficial do torneio não tem versão em inglês. Site que, por sinal, deu problema logo nos primeiros dias: durante boa parte da terça-feira, a página com a programação dos jogos ficou fora do ar. E o que dizer do susto ao entrar na chave do torneio e ver Jeremy Chardy como cabeça-de-chave número 1? Sim, porque o link “Chaves” na home do site levava direto ao draw do qualifying!

Mas, apesar dos percalços, o Brasil Open teve seus bons (ótimos) momentos. Pode-se dizer que ter dois top 20 em um torneio no saibro quando todo mundo está mais preocupado com os Masters em quadra dura nos Estados Unidos está de bom tamanho. Além disso, bons nomes como o sempre bom David Nalbandián e o chileno em turnê de despedida Fernando González abrilhantaram a chave. Não podemos esquecer o número um do Brasil, Thomaz Bellucci, que marcou presença. A clínica com alunos da APAE, comandada por André Sá, também foi uma bela iniciativa. E, para fechar com chave de ouro, a dupla-sensação amada pelo público, formada pelo brasileiro Bruno Soares e pelo americano Eric “Booty” Butorac, sagrou-se campeã.

A CBT, com seu presidente recém reeleito, deu um tiro certeiro ao trazer o Brasil Open para São Paulo, e agora parece estar mirando novas conquistas. O torneio teve recorde de público, e a organização do evento já pensa em trazer um jogador do top 10 e elevar a categoria do torneio para ATP 500 no ano que vem. Tudo indica que muito em breve teremos também um torneio WTA no país. Segundo o presidente da Confederação, as negociações estão bem adiantadas para comprar os direitos do WTA de Marbella e trazer o circuito feminino pra cá. Vamos torcer. Ao que parece, o Brasil está garantindo um futuro promissor no tênis. Pelo menos fora das quadras.

De qualquer maneira, o Brasil Open não vai deixar nenhum gosto de quarta-feira de cinzas. Afinal de contas, esse continua sendo o melhor torneio ATP do Brasil!