Ela ama as Russas
Postado em Divã do Daszma
É, meus queridos. Pelo jeito, não sou o único a amar as tenistas russas não. Tem uma moça (e não é a @laysguerrero) que também deve adorar as russas. O motivo? Simples. Graças a essas desparafusadas tenistas, Agnieszka Radwanska – ou, simplesmente, Aga(tinha) – já possui seis troféus na sua prateleira em algum lugar na Cracóvia. OK. Eu imagino que você deve estar pensando que esse post é uma pequena revolta pelas últimas três derrotas da Bepa (aquela linda) diante da ninja polonesa. Mas não é. Antes fosse. O fato é que a carreira da mais famosa das irmãs Radwanska, até o presente momento, foi patrocinada pelas russas. Acompanhe comigo.
O ano era 2007 e a jovem – ainda com aparelhos nos dentes – Agnieszka Radwanska se classificara para a primeira final de sua precoce carreira. O torneio era o WTA de Estocolmo, disputado no saibro sueco. À época número 34 do ranking feminino, a polonesa de 18 anos, massacrou a russa Vera Dushevina em rápidos 61 61. O jogo durou apenas 53 minutos e a polonesa, que nas quartas de final havia batido uma desconhecida dinamarquesa, quebrou o saque da adversária pela quinta vez (acertou se você pensou em duplas faltas) e levou para casa o troféu do WTA de Estocolmo.
No início de 2008, Aga venceria o segundo torneio da carreira, dessa vez na quente e úmida Pattaya City, na Tailândia. A adversária dessa vez foi a norte-americana Jill Craybas. Mas engana-se quem achou que não rolou o patrocínio russo no segundo troféu da polaca. Uma rodada antes da final, Radwanska derrotou, de virada, Ekaterina Bychkova (WHO?). Você pode não saber quem é a tal da Bychkova, mas esse nome e sobrenome te dão a noção exata de quem é e de onde veio Ekaterina Bychkova. Ainda em 2008, no saibro de Istambul, na Turquia, novamente como segunda cabeça-de-chave, Aga Radwanska protagonizou uma das maiores zebras daquele ano. Em sua terceira final na carreira, a talentosa polonesa – já número 16 do mundo – enfrentaria a russa Elena Dementieva (número 7 da WTA). A russa, que ainda não havia perdido um set sequer no torneio foi facilmente batida pela ascendente polaca, por 63 62. A vitória sobre a linda russa, foi o desempate do H2H (1-1), que ao final da carreira da campeã Olímpica fecharia em 4-2 para o lado polonês.
Continuemos em 2008, mas dessa vez trocamos o saibro pela rapidez da grama. Sai a graciosidade da Dementieva, entra a potência de Nadia Petrova. Número 14 do mundo e 4ª seed em Eastbourne, Radwanska, depois de vencer 3 torneios (1 na quadra dura e dois no saibro), chegaria a sua primeira decisão na grama. A adversária, adivinhem! A russa Nadia Petrova, oitava cabeça-de-chave na Inglaterra. A russa que não vinha tendo muitas dificuldades até a final, apostaria em seus potentes saques para derrotar (a até então invicta em finais) Agnieszka Radwanska. Ledo engano. Mostrando toda a sua habilidade contra as moças da terra da vodca, Radwanska, dessa vez em 3 sets, passou pela tarimbada russa 64 67(11) 64, e levou mais um troféu pra casa.
A exceção
Dizem que toda regra tem uma exceção. E aqui não é diferente. A exceção do patrocínio russo tem nome, sobrenome, é adepta do estilo roleta russa de jogar e possui dois Grand Slams: Svetlana Kuznetsova. Por duas vezes Agnieszka Radwanska enfrentou Kuznetsova em uma final de torneio e por duas vezes ela saiu com o vice-campeonato. O primeiro deles veio em Pequim, no ano de 2009. Kuznetsova que à época usou um laço preto em sinal de luto, dominou completamente a partida e venceu Radwanska por 62 64. Seria a única vitória da russa contra Aga nos 4 jogos entre as duas naquele ano.
Um ano mais tarde, dessa vez em San Diego, naquele que foi o 10º confronto Kuznetsova-Radwanska da WTA (6-3 para a russa), Sveta repetiu a dose e mostrou para a polonesa que o contrato de patrocínio assinado com a Federação de seu país estava estremecido. O jogo foi bem duro, é verdade. Mas ao final, a polonesa conheceu a segunda derrota em finais – ambas para a mesma adversária – e Kuznetsova saiu com a vitória, 64 67(7) 63.
O Patrocínio Bepa (Sua Linda) Zvonareva
A essa altura, Radwanska, que, antes de encontrar Kuznetsova nas finais, só conhecia vitórias, estava começando a perder a confiança. Para que isso não acontecesse, ela precisaria encontrar uma forma de reverter esse quadro negativo. E a solução foi Vera Zvonareva, a russa com mais vice-campeonatos da recente história da WTA. A estratégia era arriscada, já que Radwanska nunca havia vencido um set de Zvonareva nos dois confrontos que havia disputado contra a russa. Mas Aga conhecia a fama de colecionadora de bandejas/pratos/miniaturas e afins da russa. No primeiro encontro entre as duas, em San Diego (Carlsbad), a polonesa vinha aos trancos e barrancos, mas com muita paciência e consistência tática derrotou a principal cabeça-de-chave do torneio, 63 64 e levou o quinto troféu para casa.
Essa semana, em Tóquio, as duas voltaram a se encontrar. Dessa vez, mais do que nunca, o favoritismo era de Vera Zvonareva, que não havia perdido um set sequer em sua campanha no Japão e jogaria com o apoio da torcida. Mas o que Vera não se recordava é que do outro lado da rede estaria uma legítima ninja japonesa. Em uma das atuações mais sólidas que eu já vi na vida – cometeu apenas 3 erros não forçados no primeiro set –Radwanska não deu chances para a ansiosa-nervosa-afobada-errática-descalibrada-insegura russa e venceu a partida, por incríveis 63 62, deixando a adversária com aquela habitual (e linda) cara de choro.
Eu não disse que não se tratava de um chororô? Ou vai me dizer que é apenas uma (insistente) coincidência? Se é eu não sei, o que eu sei que se chegar na final em Pequim, Aga Radwanska só poderá contar Maria Kirilenko ou Anastasia Pavlyuchenkova – únicas russas vivas do outro lado da chave – para manter a escrita e o patrocínio russo.

O quê?
Todos os títulos em cima de russas?
Grande Ninja, ela merece o destaque.
Mas isso prova que as russas são foda, elas dominas as finais
Belo post, Michel!