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Alexandre Cossenza

Jornalista, 33 anos. Fã primeiramente de Andre Agassi, jura que admira Federer e Nadal em medidas iguais. Quando não está treinando seu backhand no Tijuca Tênis Clube, reproduz no Teniscópio os textos do Saque e Voleio, seu blog do Globoesporte.com.

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A melhor performance

Postado em Saque e Voleio

A maioria dos frequentadores do blog já sabe que andei boa parte das últimas duas semanas preparando uma série de reportagens para o Globoesporte.com em comemoração aos dez anos do triunfo de Gustavo Kuerten na Masters Cup, em Lisboa. Há alguns dias, coloquei também aqui no blog uma parte da entrevista que fiz com Guga, na qual ele falou bastante sobre a tática adotada para derrotar Pete Sampras.

Agora, então, deixo aqui tudo que ele falou sobre a final daquela Masters Cup, contra Andre Agassi. Sempre vi aquele jogo como o melhor da carreira de Guga e, mesmo sem fazer essa pergunta específica, ouvi dele a mesma coisa quando conversamos em Florianópolis. O catarinense também acha que aquela foi a melhor partida de sua vida. Leiam abaixo e divirtam-se (eu deveria ter postado este texto na sexta-feira, mas tive um problema de saúde que me afastou do computador e só pude fazê-lo hoje).

“Eu diria que esse jogo, abreviando ele, foi a melhor performance que eu tive como profissional. Analisando toda a figura, lidar com tudo aquilo que requer a situação, foi o maior rendimento que eu tive, não tenho dúvida. Ali eu tinha ainda algumas incertezas, mudanças recentes no meu estilo de jogo naquela quadra, tinha, queira ou não queira, uma restrição física – se o jogo tivesse quatro, cinco sets, eu não ia ter como aguentar aquele mesmo nível -, tinha o lance de enfrentar caras como Agassi e Sampras naquele piso, em que eu nunca tinha ganhado torneio e ainda era algo angustiante para mim… Para ser número 1 do mundo, lidar com essa expectativa, jogando contra esse nível de caras, não dando nenhuma oportunidade….

Ele (Agassi) numa certa ocasião me disse: ‘Você sabia que naquele jogo eu tive tantos break points e que só uma vez eu consegui devolver o saque?’. Eu não sabia. Ele que veio me falar isso futuramente. Então eu consegui amarrar o Agassi numa situação de conseguir manipular aquilo por 2h, 2h e pouco. A partir do meio do segundo set, a torcida estava louca. ‘Vai acabar já? Não pode, não pode’. A hora que ele fazia um game, eu parava tudo, controlava e tal. Sabia já que tinha que lidar com isso, por mais que eu não quisesse. Era a realidade. Tudo, assim, para traduzir, foi um planejamento de A a Z, e consegui executar todas as tarefas em um grau 9, 10, 9, 10. Foi muita eficácia de todas as formas naquele jogo.

Até mesmo a forma com que eu fechei o jogo. Nem na hora de titubear ali, no momento final, não teve. Fui para o último game, saí na frente, fui ali controlando, 40/30, na primeira chance já fechei.

Eu lembro que no jogo em si a minha direita cruzada estava muito boa. Teve uma hora que ele tentou entrar na devolução, arriscar mais, aí depois ele começou a ir lá para trás e botar a bola na quadra, e não teve jeito. Ele tentava milhões de hipóteses, dava para ver que ele estava incomodado, e eu consegui provocar essa incomodação e ficar com ela até o fim.

O saque, sem dúvida, foi o meu ganha-pão nos momentos cruciais, e a direita cruzada eu lembro que incomodou muito ele. Era algo que o Sampras fazia contra ele e eu sabia que tinha que ousar mais. Por mais que eu errasse uma ou outra, tinha que ir para lá, na direita cruzada, e soltar uma sarrafada para definir por ali.

Outra estratégia que me ajudou muito foi subir mais à rede na esquerda dele. Volta e meia, por mais que eu não abrisse tanto a quadra, como eu esperava, eu subia na esquerda dele porque às vezes ele vinha de slice e eu estava lá para conferir. Isso, nos pontos importantes, foi bastante eficiente. E quando o cara consegue lidar com toda a parte estratégica, parte mental, botar tudo para ser executado nesse nível que a gente joga, a chance de vencer é muito grande.

Depois foi mais saborear. Aquele último game foi um sabor de ‘vai acontecer mesmo’. E eu não tinha mais dúvida. ‘Com certeza, isso vai acontecer’. Acabou surgindo para mim a oportunidade. Eu lembro que a última bola eu já olhava me controlando, porque eu sabia que ia ganhar aquele jogo. Ao mesmo tempo eu tentava disfarçar, enganar a minha cabeça: ‘Faz de conta que não tem nada acontecendo, vamos pensar aqui no ritual do jogo’. É a única coisa que faz a gente esquecer tudo ao redor: ‘Tem a bola aqui, eu vou sacar lá…’, e fica essa luta constante. Depois fui comemorar com a turma.”

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Quebrando a lei da gravidade

Postado em Saque e Voleio

Uma das maiores façanhas da carreira de Gustavo Kuerten aconteceu em Lisboa, quando ele derrotou Pete Sampras. Não foi a vitória em si que me chamou a atenção – embora superar Sampras fosse, sim, um feito e tanto. O que espantou muito naquele dia foi a forma com que Guga venceu, plantado metros atrás da linha de base para devolver as bombas de saque do americano.

Em tese, contra um tenista que saca e voleia, o ideal é ficar mais perto da linha de base e devolver  o mais rápido possível, de forma que o sacador não tenha tanto tempo para colar na rede. Era o que Agassi fazia. E se Agassi tinha mais derrotas do que vitórias contra o compatriota, é igualmente justo dizer que era ele quem mais tinha vitórias em cima de Sampras na época.

Guga quebrou esse paradigma. Em tese, quando o devolvedor fica muito atrás, o sacador pode optar por uma bola angulada e, em seguida, volear com a quadra aberta. Com Guga, não foi assim. Nem em Miami nem em Lisboa. E conversei bastante sobre isso com o catarinense quando estive em Florianópolis no mês passado.

A primeira coisa que ele disse, em tom de brincadeira, foi justamente o que escrevi no título deste post: “É igual a quebrar a lei da gravidade”. E como Guga falou bastante sobre o assunto, não consegui encaixar tudo nas matérias que fiz para o Globoesporte.com. Coloco aqui, então, a íntegra do que o ex-número 1 falou:

“Na primeira partida que joguei com ele, eu ficava bem mais na frente, tentando responder o saque, do que eu costumava. Eu não era um cara que devolvia o saque em cima da linha. E é fácil de identificar que meu swing é um pouco mais longo e sou um cara alto também, não sou muito rápido de girar de um lado para o outro. Então, requer um certo tempo para eu me preparar para o saque que está vindo. Naquela situação, ele praticamente tinha o conforto de sacar com confiança um saque que não era o mais veloz dele e em ângulos que eu não conseguia ter impacto na bola. O máximo que acontecia era eu chegar, baixar alguma bola para ele volear, mas ele matava ou nem isso: ele dava ace, ace, ace.

No jogo de Miami, eu tomei 6/1 no primeiro set fazendo essa mesma tentativa. Mas o Sampras sacava muito. Até hoje não tem um cara que saca igual a ele. E eu falei: “Quer saber? Vou lá para trás, vou ver o que vai acontecer”. Miami facilita um pouco, porque não é uma quadra das mais rápidas e a bola não deslizava. E eu falei o seguinte: “Toda bola que ele sacar eu vou devolver. E vou tentar fazer com que ele pelo menos se abaixe”. A gente estava jogando melhor de cinco, a longo prazo isso ia me ajudar. E a curto prazo já ajudou muito porque ele perdeu o ponto de referência do saque. E eu conseguia, no segundo saque dele, botar muita pressão. E ele não podia mais ser tão audacioso no primeiro saque dele. Consequentemente, eu passei a devolver melhor o primeiro saque. E aí era a chave do jogo.

E eu tinha muita força nas minhas bolas. Se eu batesse bem na bola, às vezes ele nem chegava, por mais longe que estivesse. Ela abria três metros e eu botava uma angulada do outro lado que ele não chegava. Não precisava nem voltar (para o meio da quadra). Era só ir lá e bater da forma correta. E ali em Miami já abriu essa vertente para mim, que funcionava.

Fui para jogo (em Lisboa) com essa sensação. Eu não tinha essa certeza antes do jogo. Eu teria que encontrar isso durante a partida. Tinha diversos caras do circuito que eu entrava em quadra e me sentia preparado suficientemente para ganhar. Com ele, obviamente, não era o caso. Eu nunca tinha ganhado dele.

Comecei um pouco mais ansioso do que o normal. Ele já começou quebrando meu saque no início e demonstrou até no primeiro set que essa minha tática ia funcionar, porque até mesmo com ele na frente eu consegui jogar melhor do que ele o tempo todo no primeiro set. Não consegui ganhar não sei como. Ele deu duas bolas na fita que passaram para o outro lado no tie-break. Tive a plena convicção de que eu estava melhor do que ele e merecia ter ganhado. Aquilo foi o suficiente para eu me manter na partida.

Eu tive o privilégio de sair quebrando no começo do segundo. Para mim, uma quebra na frente dele era o suficiente para eu ter a sensação de que poderia ganhar o set. E eu fiquei em cima dele o terceiro set o tempo todo. Eu sempre com 0/15, 15/30, não tive aquela chance gigante, mas que estava muito sob controle meu.

Até que no 4/4 ele estava buscando o saque o tempo todo na minha direita. Já não conseguia mais dar ace aberto. Durante uns três games, eu errei umas bolas que eu sabia que ia acertar, sabia que ia vir ali, mas um detalhezinho e tal… Só que aquilo não mexia com a minha confiança. Foi o que me ajudou.

Chegou 15/30 naquele game e eu já sabia: “Agora vem ali”. Já fiquei preparado, devolvi firme, a bola sobrou no meio da quadra e eu matei. Depois, no 15/40, eu já sabia: “Vai vir na direita”. Eu consegui baixar bem uma devolução, sabia que a bola vinha no T, eu já saí correndo, matei, fechei o game e fui bastante convicto para a virada de lado e incisivo no que eu precisava fazer.

Tanto é que eu saí bem, fiz 15/0, aí aquele game se tornou um martírio. Dei dois saques que eu dei muito próximos, abertos, daqueles que podem ser dentro ou fora, e fui para o segundo saque. Acabei errando, me precipitando. Ficou 15/15 e eu errei uma bola boba de direita que não vinha errando há bastante tempo e depois me deparei com um 15/40, que se tornou um pouco perturbador na minha cabeça.

Lembro que baixou o grau de convicção. E eu me apoio em alguns hábitos que vinham dando certo. Dar uma paradinha um pouco maior, olhar o pessoal, o Larri, o Rafa, a minha mãe, só que mexeu. Não era mais tão convicto quanto vinha sendo antes nas dificuldades. Aí eu consegui mais uma vez com um saque aberto fazer 30/40, que era algo que eu estava usando nesses momentos específicos.

E aí no 30/40 a gente jogou um ponto que foi um martírio. Eu tive bolas para ser mais agressivo e não fui, ele também, só que era um ponto para decidir o jogo. Dava para ver que aquilo era um match point. Podia mudar a história toda. E culminou de ele dar um slice, a bola bater na fita e passar, cara.

Ainda bem que na hora eu nem lembrei daquilo tudo que aconteceu. Só saí correndo e bati naquela bola com uma facilidade, com uma tranquilidade… Hoje, quando eu me deparo com a imagem, vejo que aquela bola era a mais complicada para eu ter feito. A bola passou a um milímetro, naquela cruzadinha, com o grau de precisão que eu fiz, acho que foi uma das bolas de maior ousadia que eu tinha feito. Eu podia ter sido bem mais conservador ali. Diversas bolas eu poderia ter usado, mas foi o que veio na cabeça naquele momento e acho que demonstrava um pouco do nível de confiança que eu tinha adquirido nos últimos jogos e naquela partida.

Eu dou uma vibrada, assim, forte. Ali, eu ganhei o jogo, e ele também sentiu. Tanto que esse aí eu considero o match point. Depois foram dois saques. Eu nem tive que jogar mais. Só saquei.

Aí já chega a um conceito tanto de satisfação quanto de conquista, de felicidade extrema, de dever cumprido. E a oportunidade surgiu.

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De portas fechadas

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Há alguns dias, trocando mensagens por Twitter com o ex-top 100 Alexandre Simoni, discutíamos a bem conhecida falta de união no tênis brasileiro. Aliás, é até injusto escrever “discutíamos”, no plural. Quem falava sobre o assunto era ele. Eu apenas concordava.Combinamos, então, de ele escrever um texto para ser publicado aqui no blog. E se a desunião é bem conhecida de todos, Simoni traz um olhar diferente para a questão, principalmente no que diz respeito à participação de ex-jogadores no desenvolvimento do tênis no Brasil. Com vocês, a carta de Alexandre Simoni.

Olá galera, tudo bem?

Estive pensando muito ultimamente sobre o tênis no Brasil e a cada dia que passa fico mais triste. Sabemos que o tênis BRASILEIRO não é uma potência igual a Estados Unidos, Espanha, França, Argentina, Suécia, etc., falta muita coisa ainda para termos uma infraestrutura de primeiro mundo, mas temos sim nossa historia no tênis com tenistas que foram muito importantes para o desenvolvimento do tênis tanto no Brasil como internacionalmente.

Houve alguma mudança no tênis brasileiro ultimamente? Muitas coisas se falaram e, no meu modo de ver, nada aconteceu, continuamos no mesmo lugar. Cada vez mais vejo que o tênis brasileiro está muito desunido. Não estou falando sobre amizade de ex-jogadores ou algo do tipo. A amizade existe e continua. Estou falando de outro tipo de desunião. Muito se fala que o tênis está sem incentivos, sem um centro de treinamento fixo e até sem ajuda dos ex-jogadores profissionais, mas, na verdade, o que realmente acontece é que ninguém se auto-ajuda, o tênis não quer ser ajudado.

Respeito a decisão de cada um dos ex-jogadores, cada um segue o seu destino após encerrar a carreira, assim como segui a minha, mas é preciso uma mobilização maior de todos (CBT, jogadores e ex) para levantar o tênis brasileiro. Há muita gente com disposição para ajudar. Muitas pessoas que amam intensivamente este esporte e se colocam diariamente dispostas a ajudar, seja qual for a forma, o tênis.

Eu mesmo sempre me coloquei à disposição, mas nunca fui chamado para colaborar em alguma coisa. O tênis é minha vida e sempre quis ajudar, mas nunca vieram me chamar. E isso não acontece apenas comigo. Outras pessoas e até ex-jogadores sempre estão à disposição e nunca são procurados. São pessoas que poderiam, através de sua experiência, ajudar não só os jogadores profissionais como, principalmente, a garotada que está começando e os jogadores em transição do juvenil para o profissional. É dessa desunião que falo e que tanto deve mudar. É preciso mais reconhecimento aos ex-jogadores, é preciso uma união maior para o tênis brasileiro crescer como um todo e não dependendo apenas de um ou outro jogador. Nosso tênis tem muita qualidade e é preciso explorá-la melhor.

Há pessoas que poderiam pôr a mão na massa e contribuir para uma melhora, mas, ao se omitirem, deixam o tênis vulnerável e nas mãos de quem não deve. Isso só contribui para continuar ainda mais com essa desunião, girando em torno de um grupo só. Infelizmente, a melhora não é visível. Quem tem o poder nas mãos poderia abrir a porta para os outros que também querem ajudar. A questão é: até quando ???

Fiquem com Deus

Por Alexandre Simoni (@AlexandreSimoni)

Colaboração de Marcelo Bechara (@celobechara)

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Dez anos de uma façanha

Postado em Saque e Voleio

Como muitos de vocês já sabem, estive em Florianópolis há duas semanas para preparar uma série de reportagens especiais sobre a chegada de Gustavo Kuerten ao topo do ranking. Com conversas com o próprio Guga, seu irmão, Rafael, sua mãe, dona Alice, e o técnico Larri Passos, juntei muito material interessante que será publicado no GLOBOESPORTE.COM nos próximos sete dias.

As reportagens contaram com a valiosa ajuda de Diana Gabanyi, que entrevistei em Angra dos Reis, um pouco antes de ir a Floripa, e com excelente material fotográfico do excelente fotógrafo (a redundância é intencional) gaúcho Marcelo Ruschel. As primeiras partes do especial, chamado “Guga no topo”, foram publicadas hoje. Incluirei os links no pé deste post com o passar dos dias.

E desde já agradeço a todos que colaboraram: o próprio Guga e sua família, Clarissa Machado, Diana Gabanyi, Marcelo Ruschel, Larri e Carla Passos, além da minha chefe, Gabriele Lomba, que ajudou demais com seu conhecimento de surfe.

Seguem os links:

Dez anos depois, lembre o caminho de Guga até alcançar o topo do tênis

Sapato é primeiro obstáculo na trajetória em Lisboa

ATP já preparava a festa de Marat Safin na Masters Cup

Dor, derrota, e quase abandono logo depois da estreia

Teleférico e cafezinho amenizam a ansiedade da família

Dores ficam para trás, e 15 aces derrubam Magnus Norman

Superstição ou não, proteção lombar vira ‘melhor amiga’

‘Marreta’ derrota o rival Kafelnikov e traz de volta a confiança

‘Garfada’ em Miami dá força para revanche contra Sampras

‘Manguaça’ do fundo de quadra derruba o mito Sampras

Após Sampras, família começa a vislumbrar título em Lisboa

Com Agassi na mira, Larri manda seu ‘cavalo’ ao ataque

O melhor jogo da vida e, enfim, o novo número 1 do mundo

Avó do número 1 pede foto após o jogo, mas com Agassi…

Galeria de fotos: vitória e festa em Lisboa

Há dez anos, ATP oficializava Guga como o novo número 1 do mundo

Sapateiro de Larri é salvador na final da Masters Cup

Mãe número 1 volta coroada, mas com sensação de vazio

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Um fim animador

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Se você é fã de tênis, independentemente de quem vença, este domingo foi um dia feliz. A começar pela atuação espetacular de Roger Federer, diante logo de Rafael Nadal, número 1 do mundo e seu principal algoz. Mais importante que isso, pela perspectiva de um equilíbrio e de uma luta acirrada pela ponta do ranking - o que não aconteceu nem em 2009 nem este ano.

Escrevi algumas vezes aqui e estou cada vez mais convicto: Federer já começou uma (última, talvez) arrancada em busca do recorde de Pete Sampras, homem que ficou mais tempo no topo do ranking. E não se engane, leitor. Os 1.500 pontos conquistados em Londres vão fazer muita diferença em 2011, principalmente porque quem estava do outro lado da rede neste domingo era um certo espanhol.

Sobre o jogo, todos os elogios e Federer são redundantes. Taticamente perfeito, o suíço sacou consistentemente angulado no backhand do adversário e saiu em vantagem em todos os games. Obviamente, não foi só o lado do saque, mas a precisão com que as bolinhas iam ali, coladas na linha, no meio da área de saque, forçando Nadal a deixar a quadra inteira aberta.

Outra postura interessante foi plantar do lado do backhand, forçando o espanhol a fugir da tática básica de atacar a esquerda de Federer. Logo no começo, o suíço, plantado à espera de bolas daquele lado, disparou uns backhands angulados e deixou claro que Nadal precisaria fazer mais do que o normal. Nada de inovador ou genial na postura de Federer. Impressionante, mesmo, foi a consistência no backhand, que nunca fez tanto estrago assim contra o espanhol.

O número 1, então, tinha duas opções. Ou buscar mais o perigosíssimo forehand de Federer ou angular mais seus próprios forehands. Qualquer que fosse a tática, o espanhol precisaria de muita precisão. Nadal tentou um pouco de cada, mas nunca se sentiu confortável e não conseguiu a precisão necessária. Mesmo assim, perigoso como é, capitalizou no único game de saque ruim do adversário e venceu o segundo set. Mas, como acabo de escrever, o vacilo não aconteceria de novo. E o 6/1 no terceiro set foi menos reflexo da diferença de nível do que da aceitação de Nadal de que não havia nada a fazer com Federer jogando o que jogou.

Coisas que eu acho que acho:

- Atletas reclamam muito do curto período de descanso que têm entre o ATP Finals e os primeiros torneios do ano, em janeiro. Eles estão cobertos de razão. Porém, depois de um torneio assim, com Federer, Nadal e Murray jogando muito nos últimos dois dias, não há como não desejar que o tempo passe rápido até o Australian Open.

- Andy Murray fez uma excelente semifinal (o melhor jogo do ano, como escrevi no post anterior), mas saiu de quadra derrotado. Fosse qualquer outro tenista, estaríamos elogiando e apontando o cidadão como candidato em potencial e brigar por um Slam. Com Murray, entretanto, todos já vimos este filme. Potencial não lhe falta.

- Novak Djokovic deixa o torneio com gosto de deveria-ter-feito-muito-mais. Depois de um excelente primeiro jogo contra Tomas Berdych, o sérvio parecia sério candidato ao título. Diante de Nadal, porém, fez muito pouco. na semi, contra Federer, idem. E não deixa de ser impressionante o episódio do cisco no olho, na partida contra o número 1. Quantas vezes coisas pequenas assim acontecem com Djokovic e não com outros? Pena.

- Muitos dos comentários na caixinha anterior do blog foram críticas à decisão do SporTV de transmitir a final de Londres ao vivo apenas no SporTV HD. O SporTV 2, que exibiu todo o torneio ao vivo, mostrou a decisão em VT. Só posso falar pela caixinha anterior. Não aprovo textos que contenham críticas às grades de programação dos canais (seja SporTV, ESPN ou Band Sports). Como eu escrevo nas regras para postar no blog, o Saque e Voleio não tem relação direta com nenhum canal a cabo. Ademais, lotar a caixinha com críticas a um canal (com o qual o blog, repito, não tem relação direta) seria privar de discussões interessantes leitores que queriam trocar ideias sobre a final de Londres. E volto a pedir: sugestões, críticas e comentários sobre as programações dos canais devem ser endereçados diretamente a eles.

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Enfim, o que todos queriam

Postado em Saque e Voleio

Poderia ter acontecido em Melbourne, mas Nadal ficou pelo caminho, derrubado pelo mesmo Murray que bateu neste sábado. Poderia ter acontecido em Roland Garros ou Wimbledon, mas Federer fez menos do que o esperado. Por um ponto, não aconteceu em Nova York, onde Djokovic salvou match points e foi à final. Enfim, acontece em Londres, justamente o palco do melhor jogo entre eles. Para muitos, o melhor da história.

As circunstâncias agora são bem diferentes. Piso, bola e os momentos de ambos são diferentes, mas tanto Nadal quanto Federer jogaram tênis de altíssimo nível esta semana, e ninguém espera que seja diferente na decisão. E o que esperar do último jogo do circuito em 2010? Equilíbrio. E só.

Qualquer palpite sobre o vencedor será apenas isso. Um mero exercício de “achismo”. Por um lado, é difícil imaginar Federer perdendo depois de vê-lo jogando como jogou em toda a semana. Pelo outro, ninguém deve esperar que o suíço jogue contra Nadal do jeito que jogou contra Djokovic. Os desafios são outros, o nível de exigência, mais alto.

E o que dizer de Nadal? Há quem vá dizer que o espanhol estará desgastado pelas mais de 3h do jogaço contra Murray. Mas ninguém duvida que o número 1 do mundo entre em quadra dando seus piques e pulando a cada ponto importante vencido.

Taticamente, não devemos ter muitas surpresas. Nadal deve buscar o backhand de Federer com bolas anguladas (por quê mudar algo que sempre funcionou tão bem?), enquanto o suíço vai tentar diminuir o espaço, jogar mais dentro da quadra e variar com muitas curtinhas (como fez em Madri, com bastante sucesso).

As chaves do jogo? Para mim, será essencial que Federer acerte muitos primeiros saques. Murray se manteve no jogo deste sábado com 20 aces, e o suíço terá que ser tão eficiente quanto. Nadal, por outro lado, precisará do backhand calibrado. Tanto para os longos e costumeiros duelos de paralela quanto para angular e tirar Federer de sua zona de conforto.

Quem ganha? Quem executar melhor. Simples, não?

Coisa que eu acho que acho:

- É bem verdade que Nadal e Federer duelaram em Madri este ano, mas o jogo deixou a desejar. A partida foi nervosa e, tecnicamente, ficou bem abaixo de confrontos anteriores entre os dois melhores tenistas da atualidade.

- O jogo de hoje é às 15h30min (de Brasília) e tem transmissão ao vivo do SporTV HD. E já aproveito para pedir que sugestões, elogios e críticas sobre a transmissão sejam enviados diretamente ao canal, ok? Agradeço.

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O jogo do ano

Postado em Saque e Voleio

Faz meia hora que Rafael Nadal e Andy Murray saíram de quadra em Londres, e ainda não tenho os melhores adjetivos para descrever o jogo. Para mim, foi, com folgas, o melhor do ano. Teve jogadas improváveis, inacreditáveis, saques excelentes em momentos cruciais, voleios difíceis, ótimas curtinhas, contra-ataques sensacionais e contrapés de deixar adversário no chão.

Teve replay mudando pontos importantes,  teve match point salvo, teve virada no terceiro set, e teve ainda outra virada no tie-break decisivo. Teve dois atletas deixando tudo em quadra, teve lágrimas derramadas na derrota. Teve abraço sincero entre dois profissionais que se admiram e respeitam, e não deve ter desculpa por dor aqui, ali, ou pelo horário da partida.

E faz todo sentido do mundo que o melhor tenista da temporada tenha vencido o melhor jogo de 2010. Sem discussão. Se você viu o jogo, comente na caixinha. Se você não viu, dê um jeito de ver. Quando os melhores momentos aparecerem no YouTube, coloco aqui.

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Una barbaridad!

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“Me estas diciendo una barbaridad, Carlos! Estas diciendo una locura!”, bradou Rafael Nadal no fim do primeiro set. A discussão entre o número 1 do mundo e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes foi o momento mais quente da partida desta sexta-feira entre o espanhol e Tomas Berdych. E, se querem minha opinião, loucura foi a reclamação de Nadal.

O lance foi complicado para quem estava assistindo, mas o replay deixa bem claro que o número 1 estava completamente errado na questão. Notem, no vídeo abaixo, que Nadal devolve a bola de Berdych e nem tenta voltar para o ponto. Logo vira de costas e começa a levantar o braço para pedir o replay. Só neste momento é que vem a chamada de Bernardes, que aponta a bola fora.

Sim, Nadal devolveu a bola, mas sua atitude logo depois era de parar o ponto. E é importante notar que Berdych foi o primeiro a reclamar. O tcheco argumenta com o brasileiro, perguntando por que a chamada veio tão tarde. Só depois disso, Berdych pede o auxílio do Hawk-Eye. O replay, então, aponta a bola boa, e é aí que Nadal perde as estribeiras.

Na lógica do espanhol, o ponto deveria ser disputado novamente, já que ele rebateu e sua bola caiu dentro. Nadal teria razão se o ponto tivesse sido interrompido por Bernardes, o que não aconteceu. Quem parou foi ele mesmo, o número 1 – lembremos que a chamada do árbitro foi tardia, o que gerou a reclamação inicial de Berdych. E em casos assim, quem para o ponto deve arcar com as consequências. A bola foi boa, e o ponto, de Berdych.

Outra barbaridade, porém, foi o que Nadal jogou depois dessa confusão (ele até ameaçou deixar a quadra). Sacando em 15/30 e se achando injustiçado, o espanhol poderia ter perdido a cabeça e, com dois pontos mal jogados, o set. O que aconteceu foi o contrário. O número 1 manteve a concentração, virou o game e venceu o tie-break. Depois da confusão, Berdych venceu apenas um game. E Murray que não provoque o espanhol…

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Postado em Saque e Voleio

Três jogos, três vitórias, nenhum set perdido. Até agora, Roger Federer foi quem jogou o melhor tênis do ATP Finals. Primeiro, na bela vitória sobre David Ferrer. Depois, no impressionante triunfo sobre Andy Murray. E hoje, ao bater Robin Soderling com pontos perfeitos nos momentos cruciais.

Ouso dizer que a atuação desta quinta-feira nem foi tão brilhante – estamos navegando no padrão Federer, lembrem-se. O sueco, é claro, tem seus méritos. Soderling sacou bem em grande parte do jogo e conseguiu manter suas bolas altas e fundas com certa consistência. O número 4 do mundo teve suas chances. Forçou um tie-break, mas perdeu o game ao optar por um golpe de vista em vez de um voleio fácil. Errou e perdeu o set ali.

Soderling também teve chance para quebrar Federer no começo do segundo set. Até achou que tinha quebrado e saiu festejando, mas o Hawk-Eye deu o ponto para o suíço. E aí entra a mesma questão que sobre a qual escrevi ontem, quando falava de Rafael Nadal. Federer não vacila todo dia (tudo bem, ele perdeu match points quatro vezes este ano, mas mesmo assim…) e não foi hoje que ele bobeou. No oitavo game, quebrou Soderling e, no nono, fechou o jogo. Sem dramas desnecessários. Como poucos sabem fazer.

Se acontecer o que tudo indica pelos resultados até agora (vitórias de Nadal e Djokovic), Federer terá pela frente Djokovic, o que é nada mau, levando em conta os retrospectos do suíço contra o sérvio e o espanhol. Ainda conta a favor do suíço o cruzamento da outra semi. Murray, afinal, é sempre minha primeira aposta para derrubar Nadal antes de uma decisão. E se o britânico repetir o que jogou nesta quinta, nunca se sabe…

Coisas que eu acho que acho:

- O próximo P & R já está pronto para ser publicado. Deve ir ao ar na segunda-feira, depois que os ânimos (dos já exaltados fãs de Nadal e Federer) se acalmarem. Se alguém ainda tiver uma pergunta, pode mandar nesta caixinha aqui mesmo. Eu leio e, se for o caso, ainda encaixo nesta edição. Se não der, guardo para a próxima.

- Como sempre acontece, toda vez que escrevo sobre Nadal e Federer em dias consecutivos, fãs de um e de outro já começam a reclamar disso ou daquilo. Quase sinto saudades daqueles que reclamavam do meu favoritismo por Murray. Assim, é preciso que eu volte a ser um pouco mais rigoroso na moderação. Concordar ou não com um post é uma coisa. Ficar todo dia chorando e dizendo que o autor torce para um ou para o outro já cansou. Quem quiser reclamar diretamente comigo, que mande um e-mail.

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Avassalador

Postado em Saque e Voleio

Ninguém chega ao topo por acaso, diz o clichê. A não ser, é claro, que beba uma polyjuice potion (em português, “poção polissuco” – sim, vou continuar com as menções a Harry Potter nesta semana). Brincadeiras à parte, Rafael Nadal deu mais uma demonstração do que o separa de tenistas como Novak Djokovic. Tecnicamente, o espanhol não é tão superior assim ao sérvio. Explicando melhor, não é tão melhor a ponto de justificar o 16 x 7 em confrontos diretos.

Mentalmente, porém, Nadal está alguns níveis acima. Quando tem uma chance, raramente deixa passar. Hoje, mesmo passando um aperto nos primeiros games, se sustentou. Aos poucos, entrou no jogo, pegou o tempo da bola de Djokovic e passou a equilibrar as trocas de bola do fundo da quadra.

O sérvio se incomodou com algo que entrou em seu olho (o famoso cisco!) e cedeu uma quebra. Mesmo assim, teve três break points no 12º game – todos foram salvos com pontos impecáveis de Nadal. E o número 1 venceu o set. E foi só depois disso que Nadal mostrou sua maior qualidade.  Enquanto Djokovic seguia reclamando, o número 1 viu a janela para a vitória escancarada e entrou avassalador e criando pânico - como uma onda de arrastões numa cidade por aí.

Número 3 do mundo, Djokovic pouco pôde fazer. Quando saiu do estado de calamidade, perdia a segunda parcial por 4/0 e passou a distribuir pancadas. Salvou dois games de saque, mas nem assustou nos serviços do espanhol.

Coisas que eu acho que acho:

- Na outra partida do dia, a passividade de Andy Roddick espantou. Conformado em trocar bolas do fundo, o americano viu Tomas Berdych vencer o primeiro set depois de salvar dois set points e ganhar confiança. Agredindo – a acertando – mais, o tcheco não teve dificuldades na segunda parcial. Roddick agora respira por aparelhos.

- Na primeira frase, escrevo que ninguém chega ao topo por acaso. Só para esclarecer:  realmente acredito nisso. Até quando divago sobre a WTA.

- Toda vez que alguém cita a vantagem em confrontos diretos que Nadal leva sobre Djokovic (ou Federer), alguém rebate que a maioria dos jogos foi no saibro. No caso específico do sérvio, foram nove jogos no saibro. E em quadras duras, Nadal venceu os jogos que valiam mais. As semifinais das Olimpíadas de Pequim e a final do US Open. Assim, já passou da hora de encerrar esse assunto, não?

- Foi realmente lamentável o que aconteceu última caixinha de comentários. Teve mais gente escrevendo sobre as minhas menções a Harry Potter do que sobre tênis. Deixei rolar, mas já deu, né? É bastante desagradável dedicar um tempo a escrever sobre tênis (ou qualquer outro tema) e ler pessoas desvirtuando a intenção da caixinha.