Nossa vida de mortos-vivos
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Após madrugadas em claro e certa manhã em pânico, o federista respira aliviado, e o fã de tênis está agraciado. Ainda em sua metade, com 7 dias concluídos, o Australian Open felizmente já teve o poder de surpreender, que é algo muito necessário a um Grand Slam. Escrevo aqui após uma partida de 4 horas e 44 minutos (leiam com ênfase) entre duas mulheres, um ‘ponto morto’ na quadra, a desistência de vários atletas por problemas físicos, além da queda precoce de muitos dos ‘grandes’ e, vejam vocês, o sufoco pelo qual passou Roger Federer em seu jogo de segunda rodada. Para melhor comentar o que foram nossos 4 embates até aqui, dou a ele a palavra e depois me pronuncio. Vamos lá:
Primeira rodada – Lukas Lacko – 6-1 6-1 6-3
P. Esse foi um dos melhores começos que você teve em um Grand Slam?
ROGER: Não sei. Não lembro de todos os meus primeiros jogos, para ser bem sincero.
Mas penso que joguei muito bem. Tentei ser agressivo desde o início e ver no que dava. Não funcionou. E então eu recuei e joguei de forma mais arriscada e daí por diante.
Mas eu fui capaz de continuar pressionando, colocá-lo com o pé atrás. Não fiquei surpreso quando ele começou a querer entrar no jogo, em certo momento do terceiro set. Penso que foi uma boa partida e não acho que ele tenha jogado mal. Eu pude ver talento nele, também, e é por isso que me alegro por ter escolhido aquelas táticas cedo, para pressioná-lo.
É ótimo que tenha funcionado. Por fim, obviamente estou feliz.
Sim, foi excelente. Infinitamente melhor do que o último AO, já que dessa vez não houve Andreev para ganhar o primeiro set do primeiro jogo. Isso porque nem precisamos comentar as outras primeiras rodadas de GS de 2010, como o pesadelo em 5 sets imposto por Alejandro Falla em Wimbledon, ou o Grand Willy amigo levado por Brian Dabul no US Open, onde o placar do jogo foi apenas um pouco mais piedoso do que com Lacko.
Em momento algum Roger saiu da zona de conforto. Abusando da precisão em trocas de bola e deixadinhas, supriu as expectativas de quem esperava uma estreia maestra. Quando Lacko finalmente decidiu que iria parar de rir um pouco de sua situação, arrancou 3 games no terceiro set, de 5 no total. Até aí, tudo como sempre gostamos de ver.
Segunda rodada – Gilles Simon – 6-2 6-3 4-6 4-6 6-3
P. Você nos alertou há 2 dias atrás que seria uma partida apertada e dura. Você de fato esperava que fosse ser tão difícil?
ROGER: Bom, 4 ou 5 sets, qual é a diferença? Mas, sim, ao final do dia estou feliz por ter passado, e é a isso que se resume. Não importa se você vence em em sets seguidos ou em 5 sets. Apenas continue indo adiante na chave e se dê a oportunidade para a próxima partida, talvez um oponente com o qual você se habitue melhor ou condições que permitam ser mais rápido do que essa noite, suponhamos. Jogue na sessão norturna, mantenha-se vivo e sinta-se bem.
Isso é tudo que importa. Eu penso que a partida foi ótima, jogamos em alto nível por um bom tempo. Obviamente é difícil ver que, assim como Hewitt e Nalbandian na partida de ontem à noite, alguém tem que perder, quando uma partida tão genial está acontecendo.
Mas penso que joguei muito bem e estou muito feliz.
Bate na madeira 3 vezes. Simon decidiu que iria acordar novamente top 10, e nada melhor do que contra alguém que já venceu em duas ocasiões anteriores, não é? Não, não para você que, assim como eu, tomaria com prazer um Lexotan ao fim do jogo.
É bem verdade que Simon virou a Fênix depois dos dois primeiros sets, mas é inegável também que Roger deu aquela ajudada. Com os bilhetes para Júpiter carimbados, lá se foram a precisão e a agressividade, além da incapacidade de perceber que Simon só alimenta suas crianças com UMA jogada, que basicamente consiste em atacar de forehand na paralela sem chance de defesa, e isso ter custado a palpitação coletiva até a retomada do controle no quinto set, com uma quebra no sexto game.
Inegável que domar os nervos, quando eles estão rebeldes, é atitude de campeão, mas não dá para compartilhar dessa opinião de que a partida, para ele, foi excelente. Concordamos em uma coisa: Passar é realmente o que importa. Nisto, sempre confiaremos.
Terceira rodada – Xavier Malisse – 6-3 6-3 6-1
P. Um bom jogo após os cinco sets da outra noite. Feliz?
ROGER: Sim, a partida com o Simon foi boa, também. Não faça parecer ruim só porque foram cinco sets. Normalmente elas são disputadas em alto nível por um longe período de tempo.
Penso que hoje também foi intenso. Os dois primeiros sets quase não refletiram o quão dura a partida poderia ser, ou o quão dura foi. Digo porque quebrei um pouco da vontade dele, quando ele estava levando o segundo set por 3-1. Então, fui capaz de voltar para o jogo e vencer 11 games seguidos, o que foi obviamente satisfatório. Fui capaz de tentar coisas diferentes.
Bom, se eu sobrevivi a cinco sets contra alguém com retrospecto positivo de vitórias, não seria Malisse a me fazer arrancar os cabelos enrolados. E não foi, é claro. Ambos se conhecem desde que eu nasci, e perder para o Malisse talvez tenha sido uma opção apenas no jardim de infância. Isso ajuda a entrar confiante no jogo e deixá-lo sem opções, apesar das boas bolas que o belga é capaz de apresentar. Mas, claro, também ajuda a dar a nossa querida, e dessa vez breve, desligada. No fim das contas, o teste maior foi o calor, que parecia realmente presente e me fez pensar em como ele está economizando energia para os jogos diurnos. Não que seja um problema, mas poupar o físico é sempre uma boa.
Oitavas-de-final – Tommy Robredo – 6-3 3-6 6-3 6-2
P. Mais uma doce vitória hoje. Mais um pequeno passo até a coroa.
ROGER: Ah, sim, é um passo na direção certa. Estou feliz por ainda estar firme e forte no torneio. Foi uma partida dura. Eu sabia que Robredo viria para cima, com um monte de golpes insanos, e me faria merecer a vitória. Ele não iria simplesmente me entregar a partida.
Penso que ele realmente foi capaz de jogar firme lá para o meio do segundo set. Eu realmente não tive muitas chances no saque dele, assim como ele também não teve no meu, no primeiro set. Porém, eu encontrei um caminho. Fui capaz de jogar um pouco mais agressivo e meio que não cometer mais os erros estúpidos do final do segundo set, o que de fato me custou o set, acredito.
Fui capaz de superar.
Robredo é um erro. Como jogador, como pessoa, como qualquer coisa. O pouco de respeito que eu tinha por ele se foi após duas tentativas canhestras de acertar a bola em cima do Roger, de forma clara e objetiva. A abaixadinha e, em seguida, a virada de costas ao escapar de uma delas mostra, parafraseando a @sheilokavieira, porque o Federer é o Federer e o Robredo é só o Robredo. Pior ainda foi o segundo set, cedido e perdido basicamente por culpa de um swing volley miserável de tão ruim e um péssimo voleio, que correu para fora. Quebrando no 4-3, Robredo se sentiu confortável para acreditar com unhas e dentes que poderia ir longe. Mau Robredo. O set foi perdido, mas o desprezo pelo ensandecido espanhol não, o que possibilitou a vitória em 4 sets sem maiores problemas.
So far, so good.
O que esperar do Wawrinka? Não sei exatamente. Tanto respeito quanto MUITA disposição para o jogo. Adoro o Wawrinka, mesmo sendo um zé mané. Uma pessoa que larga a família para se dedicar exclusivamente ao tênis merece, no mínimo, que eu espere para vê-lo em quadra, jogando tudo o que sabe e pode contra aquele que considera, assim como nós, o maior de todos. Sei é que o Roddick não foi páreo. O Roddick foi chacota mesmo, coitado. Quem mandou não levar os EUA para as quartas-de-final em um Grand Slam de quadra dura? Era a última esperança… Sobrou para ele. Pena. Queria vê-lo no próximo jogo. Porém, que venha Stanislas.
Até.
* Traduzi diretamente as perguntas para evitar a fadiga, mas as entrevistas originais e completas estão disponíveis no site do Australian Open.
** A foto foi postada por ele, em sua ótima e já mencionada página do Facebook. Lindo, não? Heh.


















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